“Sr. Presidente,
Sras. e Srs. deputados,
Depois de haver sido federalizado, querem privatizar o Banespa. Como se não bastasse, um decreto do final do ano passado autorizou a compra de até 100% de seu capital por instituições estrangeiras. O leilão, marcado para 16 de maio próximo, promete ser uma das páginas mais tristes da história de São Paulo e do Brasil.
Trata-se, o Banespa, de uma instituição quase centenária, fundada em 1909 e que cresceu junto com a expansão econômica de São Paulo, tendo sido o primeiro banco do país a conceder crédito agrícola, em 1930. Hoje o Banespa é parte da história e do patrimônio paulista, com mais de 500 agências só no Estado, e presente em mais de 400 municípios.
E não estamos falando apenas de uma empresa bancária, o que já seria de extrema significação, mas de uma holding bilionária e poderosa, que inclui a Banespa Leasing, com patrimônio de mais de 300 milhões de dólares; a Banespa Cartões, com cerca de 650 mil cartões emitidos; a corretora de valores Banescor, com patrimônio avaliado em quase 500 milhões de reais; e a seguradora Baneseg, que teve um lucro de 51 milhões de reais em 98.
Por tudo isso, considero muito grave não apenas a possível venda a grupos estrangeiros de uma instituição tão importante para o país, mas a própria privatização do banco.
O papel de um banco público numa nação com tantas carências como o nossa não pode ser desprezado. Um banco público tem a missão de oferecer crédito e serviços onde outros bancos não entram. As instituições públicas, por isso, são fontes importantíssimas de desenvolvimento justamente porque assumem compromissos de alto risco e baixo retorno, atuando em esferas nas quais as instituições privadas não têm interesse pela baixa lucratividade.
Qual banco privado, principalmente se for uma potência estrangeira, vai querer emprestar dinheiro para um pequeno comerciante poder alavancar seu negócio? Qual banco privado vai querer financiar o pequeno agricultor, na sua roça de milho? O Brasil precisa estimular a produção. E não é entregando suas instituições financeiras a grupos privados que se conseguirá isso. Pelo contrário, ao privatizarmos um banco com a solidez, credibilidade, capilaridade de agências e extensão da atuação do Banespa, estaremos perdendo um braço importante no apoio às micro e pequenas empresas, ao produtor rural, ao trabalhador autônomo, enfim, àqueles que produzem, somam riquezas a esse país e geram empregos.
O ideal seria que, ao invés de vender o Banespa, perdendo uma sólida base para o desenvolvimento, o governo criasse condições para que ele se tornasse ainda mais forte.
Nesse sentido, é importante registrar que os funcionários do Banespa, tendo a AFUBESP e o Sindicato dos Bancários de São Paulo à frente, com a ajuda de alguns economistas, produziram uma proposta de transformação do Banespa numa verdadeira instituição pública. As mudanças passariam pelo conselho de Administração do banco, onde teriam assento o Estado, o SEBRAE, a Banesprev (fundo de pensão dos funcionários) e representantes dos prefeitos.
Teríamos, assim, uma composição híbrida, que daria ao Banespa condições de ser ainda mais competitivo. É preciso ressaltar que o banco, a despeito das agressões que tem sofrido, continua a ser altamente lucrativo, razão pela qual desperta a cobiça de grupos nacionais e estrangeiros.
O Brasil deve resgatar a função social do crédito. E, para isso, precisamos de um Banespa a serviço de São Paulo e do país.
Muito obrigado”
DEPUTADO EDINHO ARAÚJO (PPS-SP)
fonte: AFUBESP