“Temos de cuidar bem do solo para colher os frutos”: palestra na Afubesp debate as origens invisíveis das dores nas costas

O programa Qualidade de Vida da Afubesp realizou, na quarta-feira (27), palestra sobre as raízes das dores nas costas com o ortopedista Dr. Vagner de Paiva. Durante o encontro, o especialista destacou a relação entre dores crônicas, sedentarismo, doenças metabólicas e saúde emocional, além de alertar sobre os impactos da perda de massa muscular, do uso indiscriminado de canetas emagrecedoras e de hábitos inflamatórios como álcool e tabaco. O médico também defendeu abordagens multidisciplinares, com integração entre tratamento ortopédico, atividade física e psicoterapia.

A dor nas costas raramente começa apenas na coluna. A afirmação guiou a palestra do ortopedista e especialista em coluna Dr. Vagner de Paiva, realizada na quarta-feira, 27 de maio, no auditório da Afubesp, durante mais uma atividade do programa Qualidade de Vida.

Ao longo do encontro, o médico propôs uma reflexão que ultrapassa exames de imagem, hérnias e desgastes vertebrais. Para ele, compreender a dor exige olhar para o corpo como um sistema interligado que é influenciado por alimentação, saúde emocional, sono, doenças crônicas, hábitos cotidianos e até pelo modo como cada pessoa atravessa momentos de sofrimento psicológico.

“Temos de cuidar bem do solo para colher frutos”, resumiu o especialista ao explicar que o tratamento das dores crônicas depende da saúde global do organismo. Ou seja, para que um tratamento dê certo, a base, que é o organismo, precisa estar em dia.

A palestra partiu de um ponto que costuma surpreender muitos pacientes: dores persistentes nem sempre têm relação direta apenas com problemas estruturais da coluna. Segundo Vagner de Paiva, doenças metabólicas como diabetes, colesterol elevado, obesidade e processos inflamatórios silenciosos aceleram a deterioração muscular e óssea, dificultando a regeneração do corpo.

O sedentarismo aparece como um dos principais agravantes desse processo. O médico chamou atenção para a perda progressiva de massa muscular, especialmente após os 50 anos, quadro conhecido como sarcopenia. Sem musculatura suficiente para sustentar articulações e coluna, o organismo perde estabilidade, resistência e capacidade de proteção.

A musculação, nesse contexto, foi apontada como uma importante ferramenta de prevenção e manutenção da autonomia física. “Músculo é proteção. Quando o paciente perde massa magra, a coluna sofre junto”, explicou.

O alerta ganhou ainda mais relevância quando o especialista abordou o uso indiscriminado de canetas emagrecedoras. Embora reconheça a importância desses medicamentos em alguns tratamentos, Vagner destacou que a perda rápida de peso sem acompanhamento nutricional e atividade física adequada pode comprometer seriamente a musculatura do paciente.

Segundo ele, muitos pacientes emagrecem na balança, mas perdem junto uma parcela significativa de massa magra, o que enfraquece o corpo e favorece dores, quedas, limitações e piora da qualidade de vida.

Outro eixo importante da palestra foi a relação entre dor e saúde mental. O médico destacou que quadros depressivos e ansiedade podem aumentar a percepção da dor, prolongar crises e dificultar a recuperação clínica.

Em muitos casos, explicou, o paciente entra em um ciclo contínuo: sente dor, reduz suas atividades, se isola, perde qualidade de vida e passa a desenvolver sofrimento emocional – condição que, por sua vez, intensifica ainda mais a dor física.

Corpo e mente sadios

A consequência é que tratamentos exclusivamente ortopédicos acabam se mostrando insuficientes para determinados casos de dor crônica.

Por isso, o médico defendeu abordagens multidisciplinares, envolvendo psicoterapia, atividade física supervisionada, reeducação alimentar e acompanhamento médico contínuo. “A coluna não existe separada do cérebro, das emoções e da rotina da pessoa”, pontuou durante a palestra.

Hábitos considerados socialmente comuns também entraram na discussão. O especialista explicou que álcool, tabagismo e alimentos inflamatórios impactam diretamente os processos de recuperação do organismo. Segundo ele, essas substâncias aumentam inflamações sistêmicas, pioram circulação e retardam a regeneração dos tecidos.

O resultado aparece em dores mais persistentes, recuperação mais lenta e maior dificuldade para controlar processos degenerativos.

Ao longo do encontro, os participantes também levantaram dúvidas sobre cirurgias, dores lombares recorrentes, hérnias de disco, travamentos musculares e limitações provocadas pelo envelhecimento. Em resposta, o médico reforçou que envelhecer não significa necessariamente conviver com dor constante.

O Dr. Vagner de Paiva pode auxiliar colegas por meio do convênio com a Cabesp. Para acompanhar suas dicas no Instagram, siga o perfil @drvagnerdepaiva_coluna.

A palestra está disponível na íntegra no canal da Afubesp no YouTube (/AfubespTV).

Assista abaixo:

Confira abaixo a galeria de fotos:

Palestra sobre raízes das dores nas costas, com Dr. Vagner de Paiva, no Qualidade de Vida (27/05/2026)

Fotos: Junior Silva/Afubesp

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