Ameaças à manutenção da mesa única, às cláusulas de saúde e recusa em discutir saídas para o endividamento da categoria. Esse foi o resumo da postura da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (21), durante a quarta rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários.
A Fenaban não quis negociar. Iniciou o encontro ameaçando a manutenção da mesa única, com a tentativa de separar os bancos públicos dos privados. Essa posição de separar a mesa única foi proposta pelo negociador da Fenaban, Adauto Duarte, que foi questionado, inclusive, pelos representantes dos bancos públicos que estavam na mesa.
Na mesa de hoje, a Fenaban também trouxe a devolutiva sobre um programa de juros baixos para os bancários saírem das dívidas, proposto pelo Comando Nacional na mesa anterior. Para justificar a negativa a este pedido, a Fenaban apresentou dados que não convenceram ninguém. A única proposta apresentada pela Fenaban para a redução do endividamento foi terminar logo a campanha nacional e adiantar o pagamento da PLR.
Saúde e condições de trabalho
Sobre a pauta da saúde, o movimento sindical destacou que, em 2024, a categoria bancária representou 25% do total de afastamentos acidentários por doença mental pelo INSS. Os transtornos mentais são, inclusive, responsáveis por mais da metade dos afastamentos na categoria, conforme o quadro abaixo.

A Consulta Nacional dos Bancários 2026, realizada com quase 55 mil trabalhadores, confirma os dados do INSS e a preocupação do comando, em relação à saúde. No levantamento, realizado entre abril e maio deste ano, 40% afirmaram terem utilizado medicamentos controlados (antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes) no último ano.
Na pergunta “quais impactos a cobrança excessiva pelo cumprimento de metas causam à sua saúde?”, com possibilidade de múltipla escolha, as principais respostas foram:
– 67% afirmaram preocupação constante com o trabalho;
– 59%, que os impactos são cansaço e fadiga constante;
– 47% apontaram desmotivação, vontade de não ir trabalhar;
– 42% sofrem com crises de ansiedade/pânico;
– 39%, que estão com dificuldades em dormir, mesmo aos finais de semana; e
– 24%, com medo de “estourar” e perder a cabeça.
Para enfrentar esse cenário, o Comando Nacional dos Bancários quer discutir, entre outros pontos, a implementação da NR-1 (Norma Regulamentadora nº1), com o mapeamento dos riscos psicossociais e acesso as informações de saúde na categoria.
A seguir, o resumo das reivindicações da categoria relacionadas à saúde:
1 – Fim das metas abusivas.
2 – Combate ao assédio moral, organizacional e algorítmico.
3 – Limites à vigilância digital e ao controle por algoritmos.
4 – Serviços médicos que acolham os trabalhadores adoecidos.
5 – Nenhuma perda de remuneração durante o adoecimento.
6 – Prevenção de riscos psicossociais — implementação da NR-1 e da NR-17.
Fechamento da mesa
Após a apresentação dos dados pelo Comando, a Fenaban travou a mesa, criando falsas polêmicas e ameaçando retirar todas as cláusulas de saúde já conquistadas na CCT. Após mais um pedido de intervalo, a Fenaban concordou em continuar a negociação de saúde na próxima mesa, agendada para o dia 30 de julho.
Dia Nacional de luta e mobilização
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários aprovou a realização de um Dia Nacional de Luta e Mobilização, em 28 de julho, para reforçar as reivindicações da campanha nas bases de todo o país.
Contraf-CUT