Agosto Lilás: a violência contra a mulher nem sempre deixa marcas visíveis

A campanha Agosto Lilás promove a conscientização sobre as diferentes formas de violência contra a mulher. Em destaque, está a realidade das mulheres idosas, que podem ser vítimas de violência psicológica, patrimonial e financeira, muitas vezes praticada por pessoas próximas.

Quando se fala em violência contra a mulher, a imagem mais comum costuma ser a de uma mulher jovem agredida pelo companheiro. Mas existe uma parcela da população feminina que raramente aparece nas campanhas de conscientização: as mulheres idosas. Muitas convivem há décadas com agressões psicológicas, controle financeiro, humilhações e negligência. Outras passam a sofrer violência justamente na velhice, praticada por filhos, netos ou pessoas responsáveis pelos seus cuidados.

Essa é uma das reflexões propostas pelo Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. Mais do que lembrar os casos de agressão física, o mês convida a sociedade a reconhecer violências que, por muito tempo, foram naturalizadas dentro de casa e das relações familiares.

A pesquisa “Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil”, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, mostra que a violência contra a mulher vai muito além das agressões físicas. Ofensas, humilhações, ameaças, perseguição, controle da rotina e violência psicológica estão entre as formas de abuso mais frequentemente relatadas pelas brasileiras. Muitas dessas situações, especialmente entre gerações mais antigas, foram durante anos encaradas como parte da vida conjugal ou familiar, o que dificultava seu reconhecimento como violência.

Atenção à mulher idosa

Na velhice, essas violências podem assumir contornos ainda mais delicados. Além das agressões psicológicas, mulheres idosas também estão mais vulneráveis à violência patrimonial, que acontece quando alguém controla sua aposentadoria, retém cartões bancários, realiza empréstimos sem autorização ou se apropria de seus bens e rendimentos. Segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH) referentes ao primeiro semestre de 2022, pessoas com 60 anos ou mais concentraram a maior parte das denúncias de violência patrimonial e financeira registradas no país.

Outro desafio é o silêncio. Vergonha, medo, dependência financeira, receio de romper vínculos familiares fazem com que muitas mulheres não denunciem as agressões. Isso contribui para a subnotificação e dificulta que o problema seja enfrentado.

Reconhecer os diferentes tipos de violência é o primeiro passo para combatê-los. Se você conhece uma mulher que esteja vivendo uma situação de violência, acolha, escute sem julgamentos e oriente a procurar ajuda. Em casos de violência contra a mulher, o atendimento pode ser feito pelo Disque 180. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

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