Não contente em desacatar o Judiciário, o advogado-geral da União, Gilmar Mendes, agora parte para ameaçar quem entrar na Justiça contra a venda do Banespa. Sem argumentos sólidos para defender as ilegalidades praticadas pela União no processo de privatização do Banespa, Mendes apela para o desespero e disse que o governo poderá acionar na Justiça o Sindicato dos Bancários de São Paulo ou outras entidades, para obter ressarcimento pelas perdas financeiras sofridas pelo Banespa em função das liminares pedidas pelo sindicato à Justiça que estariam impedindo a privatização do banco,.
Segundo o presidente da Afubesp, Eduardo Rondino, Gilmar Mendes quer transformar a União em vítima quando ela é ré. “Ora, quem está impondo perdas ao Banespa é o governo e o Banco Central com a tentativa de privatizá-lo e a gestão temerária que estão fazendo no banco. O que o advogado-geral da União está fazendo é tentar inverter os papéis. Que fique claro, as vítimas aqui são o povo paulista, os acionistas do banco e seus funcionários.”
Rondino afirma que Gilmar pode ser enquadrado por constrangimento legal, ao ameaçar quem quer que seja de defender seus direitos na Justiça. “Isso é consagrado pela Constituição. Não é porque ele é advogado geral da União que pode sair com esse tipo de ameaça.”
A seguir, reprodução de nota divulgada no final da tarde pela Agência Globo sobre a ameaça de Gilmar Mendes:
“Cristiane Jungblut/Sueli Montenegro
BRASÍLIA, 17 (Agência O GLOBO) – O advogado geral da União, Gilmar Mendes, ameaçou processar no futuro o Sindicato dos Bancários de São Paulo ou outras entidades que tenham entrado na Justiça contra a privatização do Banespa. Mendes argumentou que o Banespa vem perdendo valor por causa da demora em sua venda e que, por isso, essas entidades, que seriam responsáveis pela demora, poderiam ser responsabilizadas por lesão ao patrimônio público. Neste caso, o Governo pediria o ressarcimento do valor desse prejuízo aos cofres públicos.
– Não é impossível que os sindicatos sejam responsabilizados no futuro. Certamente já estamos pensando nisso. É preciso redefinir esse modelo perverso de concessão de liminares – afirmou.
Ele disse que esse tipo de ação está sendo pensada pela AGU e poderá ser apoiada em outros casos, citando, por exemplo, a paralisação de obras e a construção de hidrovias.”
fonte: AFUBESP