Falta de condições de trabalho no Santander só se agrava

Representantes dos trabalhadores cobram melhorias e fim de abusos na gestão da instituição financeira

 

 Condições de trabalho. Esse foi o assunto principal de reunião de desdobramento do encontro de fevereiro do Comitê de Relações Trabalhistas (CRT) do Santander e é o que falta para os trabalhadores do banco espanhol no Brasil.

Na rodada desta quarta-feira 27, segundo a diretora executiva do Sindicato Maria Rosani, integrante do CRT, “foi oficializado o descaso do banco com seus funcionários e a desigualdade de tratamento entre os trabalhadores”.

Um dos assuntos foi o fim das metas de venda para os caixas. “O bancário que exerce função de caixa não deve ser cobrado por metas, nem ser avaliado por essa prática. É uma opção que ele tem para aumentar sua renda”, ressalta a dirigente sindical. Em reuniões anteriores, representantes do banco se comprometeram a apresentar documento com instruções sobre o trabalho dos caixas. “Lamentamos e repudiamos a demora na apresentação desse documento. É uma importante norma interna que poderá auxiliar no combate de práticas abusivas, assédio moral e cobrança por metas, caso seja bem elaborada”.

Day off – Outro assunto tratado no encontro desta quarta foi o “day off”. Em diversas agências e áreas administrativas o bancário tem direito a folga no dia de seu aniversário. Segundo Maria Rosani, em algumas unidades os trabalhadores receberam o comunicado como uma correspondência interna oficial. “No entanto, o banco não quer formalizar o benefício, comunicou na reunião que fica a cargo de cada gestor conceder ou não. A prática não é igual para todos os trabalhadores do Santander, o que consideramos uma injustiça. Queremos isonomia”, reivindica a dirigente.

Reuniões – As reuniões diárias em agências continuam dando dor de cabeça. Os encontros que, segundo o banco, deveriam ter o objetivo de planejar e organizar a rotina de vendas de produtos, continuam sendo denunciados ao Sindicato como oportunidade para alguns gestores assediarem e pressionarem bancários para vender. “Exigimos uma solução. Somos contra metas abusivas e vamos bater nesta mesma tecla quantas vezes forem necessárias até que o banco reoriente os gestores”, diz Rosani. A diretora salienta também que a cobrança abusiva reflete em resultados negativos para o banco, uma vez que eles se sentem pressionados, adoecem e ficam sujeitos à problemas psicológicos.

Conta universitária –  Novamente os representantes dos trabalhadores cobraram a proibição de abertura e prospecção de conta universitária fora da jornada e do local de trabalho. O departamento de Recursos Humanos orientará os bancários na próxima campanha, que ocorre em agosto, que sejam cumpridas as seguintes regras: pagamento de hora extra, intervalos para descanso de 11 horas e que a função seja feita somente por funcionários do Santander. Trabalhadores prejudicados devem denunciar a prática irregular.

Desvio de Funções – Sobre o desvio de funções nas agências envolvendo caixas, coordenadores e gerentes de atendimento e de negócios, o banco tentou se esquivar utilizando outra nomenclatura. No entanto, o movimento sindical deixou claro que a prática não pode ocorrer em nenhuma hipótese. A direção do Santander discutirá internamente uma solução. “Esse comportamento é resultado da falta de condição de trabalho que os funcionários estão enfrentando. Falta bancário. É necessário que o quadro funcional seja maior, portanto, o banco deve contratar ao invés de tentar medidas paliativas para minimizar o volume”.

Estagiário e aprendiz – Outro grave problema denunciado mais uma vez na reunião foi o fim da cobrança de metas para estagiário e menor aprendiz. “Esses jovens estão vendendo produtos em agências, o que não é permitido. A direção do banco deve reorientar gestores que só podem desconhecer a legislação para agir de tal forma”, conclui Maria Rosani.

Seeb SP
Foto Danilo Ramos

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