No mês de conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa, o Junho Violeta, a Afubesp apoia mais uma vez a importante campanha. Desta vez, em especial na defesa da Cabesp e mobilização contra a nociva proposta de alteração estatutária apresentada pela presidência da Caixa Beneficente e, consequentemente, pelo Santander.
É preciso entender que a Cabesp convocou para o dia 19 de junho uma assembleia confusa, que pretende referendar uma nova redação do Estatuto que retira o poder de decisão dos associados: ou seja, utilizar de uma resolução da ANS para instalar um Conselho Deliberativo que, por fim, diminui a governança do plano de saúde.
Somente esse caso, em si, desenha tudo o que se repudia nessa campanha.
Na esteira da AGE, vem o tratamento desrespeitoso que o banco espanhol dispensa aos colegas que dependem da Cabesp, em sua maioria idosos, planejando um modo de votação confuso, exaustivo e que pode induzir o associado ao erro. Fora isso, para entender o que está sendo votado digitalmente nessa assembleia, os associados idosos e muitos com problemas de visão precisam ler as letras miúdas, os forçando a usar telas maiores, como notebooks, num cenário em que muitos usam smartphones. Fora, aqueles que têm dificuldade com a tecnologia.
Mais uma vez, a insegurança. Para a associação, o debate vai além de uma discussão técnica ou administrativa. Trata-se de refletir sobre formas de violência institucional, patrimonial e psicológica que atingem justamente uma população majoritariamente idosa e dependente da assistência à saúde garantida pelo plano.
Santander, respeite quem construiu sua história!
A Cabesp foi construída ao longo de quase 60 anos pelos trabalhadores do Banespa e hoje atende cerca de 47 mil vidas, grande parte formada por aposentados e pensionistas. A proposta de reforma estatutária, segundo entidades representativas dos banespianos, ameaça reduzir o poder dos associados e enfraquecer a soberania da Assembleia Geral, principal instrumento democrático de decisão dentro da entidade.
A preocupação das associações (Afubesp, Afabesp e Abesprev) e entidades sindicais é que mudanças apresentadas sob o argumento de adequação à Resolução Normativa 649 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) acabem abrindo caminho para retrocessos na participação dos associados e para futuras discussões sobre retirada de patrocínio.
E qual o impacto de tudo isso para as pessoas mais velhas? Para a presidenta da Afubesp, Maria Rosani, a discussão precisa ser feita considerando as consequências sobre a vida dos aposentados.
“Quando falamos da Cabesp, estamos falando da saúde de milhares de pessoas idosas. Estamos falando de aposentados que ajudaram a construir essa entidade e que dependem dela justamente na fase da vida em que mais precisam de assistência médica. Retirar espaços de participação e enfraquecer o papel da Assembleia significa aumentar a insegurança de quem deveria estar protegido”, afirma.
A luta continua
A campanha deste ano recupera um debate iniciado pela Afubesp em 2025. Na ocasião, o Junho Violeta foi marcado pela denúncia dos impactos provocados pela retirada de patrocínio do Banesprev e pelos riscos à previdência complementar dos banespianos.
Agora o foco se desloca para a Cabesp, mas o pano de fundo permanece semelhante: a preocupação com ataques a estruturas construídas historicamente pelos trabalhadores para garantir proteção social após a aposentadoria.
“Se no ano passado o alvo foi a previdência complementar, agora a preocupação está na assistência à saúde. Em comum, existe a tentativa de fragilizar mecanismos de proteção justamente de uma população envelhecida”, diz Rosani.
O debate sobre violência contra idosos também aparece em outro processo que afeta diretamente os banespianos e a população em geral: o fechamento contínuo de agências bancárias e a redução do atendimento presencial. Para a Afubesp, a lógica de maximização do lucro tem produzido impactos especialmente severos sobre a população idosa. A substituição acelerada do atendimento presencial por canais digitais dificulta o acesso a serviços bancários, amplia a exposição a golpes e reduz o atendimento prioritário e humanizado garantido por lei.
Na avaliação da entidade, excluir idosos do acesso pleno a serviços essenciais também configura uma forma de violência. Clique aqui para ler mais sobre os impactos do fechamento de agências. A reflexão aprofundada sobre o problema será divulgado adiante, no dia 15 de junho – quando é lembrado o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.
O debate tem um objetivo claro, que é defender a Cabesp, preservar a participação dos associados e impedir que aposentados sejam afastados das decisões sobre uma entidade criada para garantir assistência à saúde até a última vida.
Essa é mais do que uma denúncia, é um grito de guerra contra os mandos e desmandos de um banco espanhol que toma as riquezas dos trabalhadores brasileiros para si, mas querem eliminar de suas responsabilidades com aposentados e trabalhadores.