A diretoria do Banespa publicou Fato Relevante, ontem, informando ao mercado que nas demonstrações contábeis de 31 de dezembro de 1999 provisionará o valor de R$ 1,813 bilhão, referente à multa aplicada pela Receita Federal. A manobra contábil provocará, no mínimo, redução substancial no lucro do banco, podendo até provocar resultado negativo no balanço anual da instituição. Tudo depende agora do valor apurado em dezembro.
O impacto do provisionamento só não será maior, devido a decisão de contabilizar também ativos fiscais no montante de R$ 583 milhões. Este valor, somado ao lucro de R$ 1,101 bilhão registrado de janeiro a novembro, reduz o valor do prejuízo causado pela multa para R$ 129 milhões. Desta forma, o resultado final do balanço anual do Banespa dependerá de sua performance em dezembro. Se o lucro no último mês do ano for maior que R$ 129 milhões, o Banespa fechará o ano no azul.
Além das decisões que afetam o balanço, o Fato Relevante anuncia também a criação do Plano de Complementação de Aposentadoria para os funcionários admitidos até 22/5/75 e a autorização para a venda das ações da Cesp em poder do banco.
O Fato Relevante foi publicado um dia após o Conselho Monetário Nacional aprovar algumas regras que deverão constar do edital de pré-qualificação para os interessados na compra do banco. Entre as deliberações do CMN estão a autorização prévia para a participação de bancos estrangeiros no leilão e a exigência de que o grupo tenha patrimônio líquido mínimo de R$ 2,374 bilhões.
Funcionalismo não aceita manipulação dos números
Na avaliação da diretoria da Afubesp, o conjunto de medidas têm como objetivo atender aos interessados na privatização, pois limpam o terreno para facilitar a entrega do banco e reduzem seu valor de mercado. “Não aceitaremos a manipulação dos números, que, além de reduzir o patrimônio do Banespa, pode afetar os banespianos na questão da PLR”, afirma Eduardo Rondino, presidente da entidade.
Ele entende que o Conselho Diretor resolveu constituir a provisão apenas para permitir o ajuste no balanço de 31/12/99, que servirá de base para a definição do preço mínimo do banco. Entretanto, esclarece que os banespianos e a sociedade estão atentos à essas manobras e utilizarão todos os meios para impedir a privatização. “Ainda temos muitas armas para atrapalhar os planos dos traidores do país.”
fonte: AFUBESP