Qualidade de Vida: obras para ver e sentir na Pinacoteca

A última quarta de maio reservou um dia de cultura e experiências sensoriais aos participantes do Qualidade de Vida. A visita à exposição Ernesto Neto: Sopro, na Pinacoteca de São Paulo, reuniu dezenas de colegas, que foram divididos em dois grupos e acompanhados por monitores.

Cheiros, sons, texturas e formas que levam à reflexão mexeram com os sentidos dos colegas. São 60 obras no total, que ocupam o Octógono, sete salas do 1º andar e outros espaços da Pina Luz.

Para começar, uma caminhada descalços em um ambiente que exalava cheiro de especiarias. Depois, adentrar a obra que representa um útero feminino. Logo adiante deitar em balanços feitos com bolas de plástico. Sentir nos pés a maciez dos tecidos e crochês.

Toda essa onda de sensações impressionou os participantes, que passaram mais de duas horas desvendando os materiais e a proposta de cada peça do artista , que é considerado um dos nomes mais proeminentes da escultura contemporânea.

Boa parte delas foram elaboradas com meias de poliamida, esferas de isopor e temperos. As esculturas partem do princípio das tensões dos materiais têxteis e de técnicas como o crochê. São tão interessantes e lúdicas, que chamam atenção até das crianças.

Mais sobre a exposição

Com curadoria de Jochen Volz e Valéria Piccoli, diretor e curadora-chefe do museu, respectivamente, o artista produz obras que colocam em diálogo o espaço expositivo e as diversas dimensões do espectador.

Para a mostra na Pinacoteca, o artista concebeu um trabalho inédito: a instalação Cura Bra Cura Té para o espaço do Octógono, que acolhe quatro ações/rituais participativos abertos ao público ao longo do período expositivo.

Integra também o conjunto uma obra seminal em sua trajetória: Copulônia (1989). De poliamida e esferas de chumbo, seu título faz referência à “cópula” (termo utilizado pelo artista para caracterizar um tipo de elemento, presente na obra, em que duas partes se penetram) e à “colônia” (seção da obra na qual os elementos se repetem). “Traz a ideia de população, família, corpo coletivo e convivência simbiótica”, define Neto.

A exposição propõe demonstrar como a fisicalidade, o indivíduo e o coletivo sempre estiveram presentes, desde o início, na prática do artista, moldando sua poética.

Ernesto Neto: Sopro, na Pinacoteca de São Paulo, segue aberta a visitação até dia 15 de julho. Aos sábados, a entrada é gratuita.

Texto Érika Soares
Fotos: Amanda Flor

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