As informações divulgadas pela imprensa nos últimos dias relativas à compra do ABN/Real pelo Santander deixaram os funcionários dos dois bancos preocupados com a situação, mas mobilizados na luta pelo emprego. As duas instituições estão envolvidas num processo de fusão mundial que coloca em risco os empregos de 54 mil trabalhadores só no Brasil.
Entre os dias 25 e 27, os bancários realizam a Jornada de Luta em Brasília. O objetivo é buscar apoio dos três poderes para a questão do emprego no ABN/Real e Santander. Serão realizadas atividades em frente ao Congresso Nacional e reuniões com deputados federais e senadores para reivindicar aos parlamentares o encaminhamento de leis que protejam os trabalhadores.
Os bancários também participarão de audiência pública na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados com os bancos envolvidos no caso e de audiências nos ministérios e demais comissões do Congresso Nacional.
Apoios já recebidos
A luta em defesa do emprego já recebeu apoios desde que o Santander anunciou a compra praticamente certa do ABN/Real ao presidente Lula no final de semana passado. As assembléias legislativas do Ceará e do Rio de Janeiro aprovaram, nos últimos dias, moções de apoio aos funcionários das duas empresas e de repúdio às prováveis demissões que devem ocorrer com o fechamento do negócio, respectivamente.
Já a Comissão de Assuntos Internacionais da Alesp (Assembléia Legislativa de São Paulo) está discutindo o envio de uma carta para as direções de ABN Amro e Santander pedindo medidas de garantia de emprego para os trabalhadores dos dois bancos. A proposta foi feita pelo deputado estadual Cido Sério (PT-SP).
Em âmbito federal, o apoio aos bancários veio do deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP), que é presidente da Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados. Em pronunciamento feito esta semana, Marquezelli falou sobre os reflexos que o negócio terá em todo o mundo e mais especificamente no Brasil, “principalmente pelos métodos utilizados em nosso país”.
Pessoal pré -75
O deputado aproveitou a oportunidade para falar sobre a compra do Banespa pelo Santander e dos problemas surgidos em decorrência da aquisição. Ele destacou a apropriação de mais de R$ 12 bilhões praticada pelo banco espanhol, que haviam sido destinados a pagar as complementações dos aposentados e pensionistas pré-75, e a criação do Plano V do Banesprev, que foi feito “sob pressão e com inúmeras irregularidades” mais de sete anos após a privatização do Banespa.
fonte: Érika Soares – Afubesp