BERZOINI CRITICA DESPACHO DO JUIZ PLAUTO RIBEIRO

Retransmitimos pronunciamento feito hoje na Câmara dos Deputados, em Brasília, pelo deputado Ricardo Berzoini (PT). Uma crítica contundente ao despacho do juiz Plauto Ribeiro que cassou a liminar contra a privatização do Banespa

“Sr. Presidente
Srs. e Sras. Parlamentares

Uso a palavra para tratar, mais uma vez, do processo de privatização
do Banespa. Na última terça-feira, o presidente do Tribunal Regional Federal suspendeu a liminar concedida no final de fevereiro ao Ministério
Público Federal, que apontou mais de duas dezenas de ilegalidades no
processo. Ainda que possamos respeitar a decisão do presidente do TRF, não
podemos deixar de nos indignar com o conteúdo do despacho, que reconhece de
forma lateral as ilegalidades cometidas pela União e pelo Estado de São
Paulo, mas curva-se aos absurdos argumentos de que o adiamento da
privatização pode causar “grave lesão à ordem e à economia públicas”.
Ora, senhor presidente, em outros processos de privatização, a mesma
alegação foi levantada pela União. E, mais de uma vez, a Justiça acatou tal
argumentação e cassou liminares.
Creio que a leitura atenta da decisão de suspender a liminar pode
demonstrar com clareza a contradição colocada. Faço a leitura de um trecho
que é revelador:
“Dessa forma, embora reconhecendo a densidade dos argumentos deduzidos pelos
autores da medida cautelar fustigada, endossados pela douta
Procuradoria Regional da República, nos limites temáticos do processo de
suspensão, onde o juízo é mera delibação, não cabe ao Presidente do Tribunal
antecipar considerações sobre o mérito da controvérsia posta em debate,
tanto mais quanto a matéria reclama aprofundado exame de provas a
realizar-se no contexto jurídico constitucional do exercício da ampla defesa
e do contraditório.”
Traduzindo, embora reconheça que os argumentos sobre os quais se
sustentava a decisão cautelar são densos e corretos, o Dr. Plauto Ribeiro
acatou a pretensão do Banco Central que quer realizar a privatização, o mais
rápido possível, até para que as ilegalidades se transformem em fato
consumado, e diante da irreversibilidade da privatização, caiam na tradição
brasileira do esquecimento e da impunidade.
Mas o Banco Central não perde por esperar. Outras medidas judiciais
e a mobilização do povo de São Paulo, que reconhece nas ruas e nas pesquisas
de opinião a necessidade de preservar o Banespa como banco público,
continuarão a ser um obstáculo ao projeto serviçal de Pedro Malan e Armínio
Fraga, que querem entregar o Banespa ao capital financeiro internacional.”

fonte: AFUBESP

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