A afirmação do diretor de Finanças Públicas do Bacen, Carlos Eduardo de Freitas, de que “o Banespa representa gastos superiores a R$ 4 bilhões por ano aos cofres públicos” é contestada pela Associação dos Funcionários do Banco do Estado de São Paulo (Afubesp).
Para o presidente da entidade, Eduardo Rondino, a declaração feita pelo diretor do Bacen, ontem, durante o encontro da Associação Brasileira de Bancos Estaduais e Regionais (Asbace), não tem nenhuma relação com a realidade. “Os balanços e balancetes publicados pelo Banespa, que está sendo administrado por pessoas indicadas pelo governo federal, provam que o banco é altamente lucrativo.”
Pelo último balancete publicado, o Banespa apurou lucro de R$ 1,1 bilhão entre janeiro e novembro do ano passado. Os balanços dos últimos quatro anos somaram R$ 4,6 bilhões positivos, sendo que somente em 1997 houve um lucro de R$ 2,0 bilhões, o maior registrado até hoje por uma instituição financeira nacional.
As palavras de Freitas contrariam até mesmo a Nota Técnica 02/2000 “Conseqüências de eventual adiamento do leilão do Banespa”, publicada pelo Banco Central no dia 29 de fevereiro. De acordo com o documento, no caso de adiamento do leilão por uma ano, as perdas da União com os juros dos títulos emitidos para incorporar o Banespa seriam de R$ 394 milhões.
Embora muitas vezes menor do que os R$ 4 bilhões ditos por Freitas, a avaliação da Nota Técnica também é refutada pelo presidente da Afubesp. “Ela pressupõe que 100% dos recursos do leilão seriam utilizados para resgatar os títulos públicos, mas não é isso que tem ocorrido na prática. Ao contrário, nos últimos cinco anos, quanto mais o governo privatiza mais aumenta a sua dívida e, conseqüentemente, o valor dos juros pagos”, afirma Rondino.
Outra falha apontada é que o documento do Bacen não leva em conta os dividendos distribuídos pelo Banespa (já que a União se apropriou ilegalmente de 66,6% das ações ON do banco), nem a valorização do patrimônio, com a incorporação de parte dos lucros.
O dirigente da Afubesp avalia que a afirmação do diretor do Banco Central é parte da estratégia do governo de desacreditar e desvalorizar o banco com o objetivo de facilitar a sua entrega, a preço de banana, aos grandes grupos econômicos. “FHC assumiu compromissos com o FMI e com os grandes financiadores de sua campanha e agora precisa cumpri-los. Para isso, adota o ‘vale tudo’, pelo qual as leis são desrespeitadas, os diretos dos trabalhadores desprezados, os interesses da população desconsiderados e até os números do banco falsificados.”
O garoto do FMI – Rondino rebate também os ataques que Armínio Fraga, presidente do Banco Central, fez a todos os bancos estaduais, na mesma oportunidade. “O garoto do FMI quer o fim das empresas públicas para agradar o mercado financeiro, com quem tem relações de alta afinidade.” Sobre as acusações de uso político dos bancos estatais, Rondino é taxativo: “O problema da ingerência política e má administração de instituições estatais e privadas ocorrem também
porque o Banco Central não cumpre o seu papel de fiscalizador do sistema financeiro.”
fonte: AFUBESP