Um misto de encanto e mergulho na história de um dos casarões do início do século XX, no bairro do Campos Elísios, em São Paulo. Essa foi a tônica do primeiro passeio do Programa Qualidade de Vida de 2026, realizado no dia 29 de abril, com a participação de cerca de 50 associados da Afubesp.
As grandes escadarias da Casa da Don’Anna não assustaram os colegas, que se dividiram em dois grupos para visitar o casarão principal. Mas, antes, enfrentaram juntos uma outra bem íngreme da época da construção do casarão (nos idos de 1912), que funcionava como os aposentos do motorista. Foi ali, que os colegas conheceram a história da família detentora do espaço (que permanece a mesma ainda hoje), o porquê do nome, além de curiosidades da vida da elite cafeeira paulistana.
Segundo contaram os guias, o casarão foi um presente encomendado pelo Coronel Carlos da Silva Telles ao escritório do famoso arquiteto Ramos de Azevedo para ser dado de presente de casamento à sua filha Ana Silva Telles. Mas, mais do que uma moradia, a construção também era uma declaração de status de um dos renomados Barões do Café. Isso porque, o esposo de Anna era Octaviano Alves de Lima, influente cafeicultor e diretor da Café Paulista S/A.
Sendo assim, o casarão
construído em estilo eclético, reflete a riqueza desta era do ciclo do café, o que o levou a ser tombado como patrimônio histórico. No entanto, a família, em 1942, aumentou a sua área construída. Apesar da grande reforma alguns elementos arquitetônicos da construção original permaneceram preservados e chamam atenção de quem o visita.
É o caso do gradil original e do portão de ferro, das molduras e sancas boiserie (técnica francesa que consiste em molduras nas paredes típicos da estética Belle Époque) aplicadas sobre as paredes internas, do piso em mosaico do hall de entrada, da imponente escada em calacatta vagli rosato – o mármore mais escasso e luxuoso que existe – com detalhes do guarda-corpo em ferro forjado e fundido, e do vitral colorido que faz brilhar os olhos de todos. Não foi à-toa que foi o local mais fotografado durante o passeio.
O que também encantou os colegas foi o fato da construção nunca ter saído da família, diferente de muitos outros daquela época. O afeto familiar fez com que um dos herdeiros, o empresário Luís Eduardo Alves de Lima, comprasse a parte do outro herdeiro e iniciasse o processo de restauração, devolvendo a ele o brilho e a imponência originais.
Hoje, felizmente, funciona como um espaço de memória e também de cultura e de eventos, o que possibilitou essa jornada interessante que foi muito elogiada pelos associados da Afubesp.
A próxima atividade do Qualidade de Vida será realizado no final do mês de maio e será amplamente divulgada nos canais de comunicação da entidade. Participe você também!