Segundo dados organizados pelo Dieese, as mulheres bancárias têm remuneração 18,4% inferior à remuneração dos homens bancários. Mas se a trabalhadora for negra, a remuneração média é 34,2% inferior à dos bancários do sexo masculino.
Considerando o recorte racial, pessoas negras (homens e mulheres) têm no setor bancário remuneração média 18,2% inferior à remuneração média na categoria.
Os dados que refletem o abismo salarial por gênero e raça foram apresentados na manhã de quinta-feira (16), em São Paulo (SP), pelo movimento sindical à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), durante a terceira rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada da categoria.
A desigualdade é maior nos cargos de comando dos bancos:
– Apesar de ocuparem 47,7% dos cargos de liderança, as mulheres têm remuneração média 26% inferior à remuneração dos homens que estão nas mesmas ocupações de liderança.
– Considerando o recorte racial, pessoas negras (homens e mulheres) ocupam apenas 25,2% dos cargos de liderança, sendo que as mulheres negras compõem somente 11,5%* dessas posições.
O Comando Nacional reforçou que, pelo ritmo registrado nos últimos anos, o setor levará 40 anos para alcançar paridade salarial entre homens e mulheres. E, ainda, que as mulheres são as mais demitidas e as menos admitidas atualmente no setor bancário.
Combate ao racismo
No 1º Censo da Diversidade, realizado em 2008, negros e negras compunham 19% do quadro de trabalhadores. O levantamento mais recente mostrou que agora o grupo representa 33% da categoria bacária.
Para mudar este cenário, a categoria reivindica:
– Que cada contratação de pessoas negras seja notificada pelos bancos à Contraf-CUT.
– Protocolo nacional de combate ao racismo, para que os trabalhadores saibam como lidar com casos praticados por clientes.
– Comissão de heteroidentificação: criação de comissões paritárias, capacitadas para validar a autodeclaração de candidatos negros e garantir a aplicação correta das políticas afirmativas.
Avanços da mesa
Sobre a implementação do protocolo de combate ao racismo, a Fenaban:
– Propôs que as denúncias de racismo praticadas por clientes sejam encaminhadas aos canais, já existentes nos bancos, de combate ao assédio. Esses canais também passarão a atender casos de LGBTfobia.
Sobre o combate ao assédio sexual:
– A Fenaban concordou em incluir na Convenção Coletiva a definição dos comportamentos que caracterizam assédio sexual ou condutas inadequadas (importunação). Essa lista será explicativa e ajudará na formação do quadro de funcionários.
Escala 4×3:
Sobre essa questão a Fenaban trouxe como devolutiva que não há espaço nos bancos para avanços neste ano. Por outro lado, propôs trazer uma especialista que assessora a implementação da 4×3 em empresas brasileiras, para aprofundar a discussão na mesa de negociação com o Comando Nacional.
Incentivo a mulheres nas finanças:
A Fenaban propôs a contratação de cursos em finanças e encarreiramento, para formação e fortalecimento das mulheres no setor bancário.Desenrola Bancários
O Comando Nacional apresentou dados do endividamento da categoria e reivindicou um “Desenrola Bancário”.
Na Consulta Nacional que, neste ano, teve a participação de quase 55 mil respondentes, 71% da categoria afirma que está com dívidas. Desse grupo, 53% diz que possui dívidas com cartão de crédito, 42% com crédito pessoal e 30% com cheque especial. E, o mais impactante: quase 30% afirma ter dívidas em atraso.
A Fenaban ficou de estudar a reivindicação e trazer uma resposta num próximo encontro da Campanha Nacional.
O papel da negociação permanente para avanços no setor
A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, reforçou que a melhora nos índices de acesso, ascensão e remuneração de mulheres, negros e negras, PCDs e LGBTQIA+ na categoria está diretamente ligada a capacidade do setor de reavaliar os planos de ações à luz da realidade política e social posta no momento histórico.
Contraf-CUT