Movimento sindical avança em mesa por Igualdade de Oportunidades da Campanha Nacional

As desigualdades no sistema financeiro brasileiro seguem atingindo diferentes grupos historicamente discriminados, refletidas nas diferenças salariais, nas dificuldades de acesso e ascensão profissional e na baixa representatividade de mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+ nos cargos de liderança. Na reunião realizada no dia 16 de julho, o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) discutiram as cláusulas de igualdade de oportunidades e endividamento da Campanha Nacional 2026.

Segundo dados organizados pelo Dieese, as mulheres bancárias têm remuneração 18,4% inferior à remuneração dos homens bancários. Mas se a trabalhadora for negra, a remuneração média é 34,2% inferior à dos bancários do sexo masculino.

Considerando o recorte racial, pessoas negras (homens e mulheres) têm no setor bancário remuneração média 18,2% inferior à remuneração média na categoria.

Os dados que refletem o abismo salarial por gênero e raça foram apresentados na manhã de quinta-feira (16), em São Paulo (SP), pelo movimento sindical à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), durante a terceira rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada da categoria.

A desigualdade é maior nos cargos de comando dos bancos:

– Apesar de ocuparem 47,7% dos cargos de liderança, as mulheres têm remuneração média 26% inferior à remuneração dos homens que estão nas mesmas ocupações de liderança.
– Considerando o recorte racial, pessoas negras (homens e mulheres) ocupam apenas 25,2% dos cargos de liderança, sendo que as mulheres negras compõem somente 11,5%* dessas posições.

O Comando Nacional reforçou que, pelo ritmo registrado nos últimos anos, o setor levará 40 anos para alcançar paridade salarial entre homens e mulheres. E, ainda, que as mulheres são as mais demitidas e as menos admitidas atualmente no setor bancário.

Combate ao racismo

No 1º Censo da Diversidade, realizado em 2008, negros e negras compunham 19% do quadro de trabalhadores. O levantamento mais recente mostrou que agora o grupo representa 33% da categoria bacária.

Para mudar este cenário, a categoria reivindica:
– Que cada contratação de pessoas negras seja notificada pelos bancos à Contraf-CUT.
– Protocolo nacional de combate ao racismo, para que os trabalhadores saibam como lidar com casos praticados por clientes.
– Comissão de heteroidentificação: criação de comissões paritárias, capacitadas para validar a autodeclaração de candidatos negros e garantir a aplicação correta das políticas afirmativas.

Avanços da mesa

Sobre a implementação do protocolo de combate ao racismo, a Fenaban:

– Propôs que as denúncias de racismo praticadas por clientes sejam encaminhadas aos canais, já existentes nos bancos, de combate ao assédio. Esses canais também passarão a atender casos de LGBTfobia.

Sobre o combate ao assédio sexual:

– A Fenaban concordou em incluir na Convenção Coletiva a definição dos comportamentos que caracterizam assédio sexual ou condutas inadequadas (importunação). Essa lista será explicativa e ajudará na formação do quadro de funcionários.

Escala 4×3:

Sobre essa questão a Fenaban trouxe como devolutiva que não há espaço nos bancos para avanços neste ano. Por outro lado, propôs trazer uma especialista que assessora a implementação da 4×3 em empresas brasileiras, para aprofundar a discussão na mesa de negociação com o Comando Nacional.

Incentivo a mulheres nas finanças:

A Fenaban propôs a contratação de cursos em finanças e encarreiramento, para formação e fortalecimento das mulheres no setor bancário.Desenrola Bancários

O Comando Nacional apresentou dados do endividamento da categoria e reivindicou um “Desenrola Bancário”.

Na Consulta Nacional que, neste ano, teve a participação de quase 55 mil respondentes, 71% da categoria afirma que está com dívidas.  Desse grupo, 53% diz que possui dívidas com cartão de crédito, 42% com crédito pessoal e 30% com cheque especial. E, o mais impactante: quase 30% afirma ter dívidas em atraso.

A Fenaban ficou de estudar a reivindicação e trazer uma resposta num próximo encontro da Campanha Nacional.

O papel da negociação permanente para avanços no setor

A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, reforçou que a melhora nos índices de acesso, ascensão e remuneração de mulheres, negros e negras, PCDs e LGBTQIA+ na categoria está diretamente ligada a capacidade do setor de reavaliar os planos de ações à luz da realidade política e social posta no momento histórico.

Contraf-CUT

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