Geração Prateada: Na década do envelhecimento saudável, apenas 51% utilizam internet no Brasil

Estamos na década do envelhecimento saudável, onde o lema é “nenhuma pessoa idosa pode ser deixada para trás”. A inclusão desse segmento no que há de mais novo na tecnologia passa por essa revolução. A tecnologia é um desses fatores, com a peculiaridade de que as mudanças nesse campo não param. Quem não está no ambiente da internet atualmente vive praticamente fora do mundo, e a didática para a entrada no mundo digital pode ser um renascimento.

Para a professora gerontóloga pela USP Tássia Chiarelli, o analfabetismo digital e a vulnerabilidade que essa população é submetida precisam ser combatidos. O tema foi debatido durante a sexta edição do Fórum São Paulo da Longevidade, realizado em São Paulo entre 29 de setembro e 1º de outubro.

Segundo levantamento da pesquisa TIC Domicílios 2023, 84% dos brasileiros com 10 anos ou mais são usuários de internet. Quando analisada a fatia de idosos 60 anos ou mais, apenas 51% tinham acesso. Comparado às demais faixas etárias, é a que menos utiliza a internet. Onde estão os outros 49%?”, questiona Chiarelli. O raciocínio é: não adianta ter acesso a um celular, é importante a infraestrutura e recurso para aproveitar o ambiente digital para suas demandas e atividades.

Aí o assunto analfabetismo digital entra em cena. São muitos os fatores que levam o indivíduo a viver à margem do que a tecnologia oferece, como condição socioeconômica e geográfica. “Isso levanta um alerta, pois esse é o grupo etário que mais cresce no Brasil, ao mesmo tempo que tem uma atividade econômica elevada. As consequências disso são a falta de participação, prejuízo na qualidade de vida e compromete o envelhecimento ativo e digno”, completa. Logo, incluir um 60+ é também inseri-lo em um outro contexto social.

Uma das críticas e causas das dificuldades dos idosos em manusear dispositivos é a lacuna de um olhar diferente no desenvolvimento de tecnologias a diferentes contextos e realidades. Esse “bicho de sete cabeças” causa medo e sensação de falta de capacidade ao usar tais aparelhos.

A pesquisa TIC Domicílios ainda pontua que 1 a cada 10 brasileiros com mais de 10 anos nunca acessou a internet, com destaque aos 60+. Em seu estudo de doutorado, Chiarelli destaca que as maiores motivações para os idosos procurarem cursos são a vontade de aprender, utilizar aplicativos para se comunicar, ter mais independência e o medo de ficar para trás.

Afubesp oferece auxílio com curso gratuito

O Programa Qualidade de Vida realiza regularmente oficinas para associados interessados em aprender o básico no acesso de smartphones com sistema operacional Android e iOS, desde o manuseio e outras atividades relacionados a aplicativos, redes sociais, entre outros. O retorno dos participantes é bastante positivo. A colega Leide Polli, por exemplo, já manifestou interesse em refazer o curso. “Eu gostei muito, acrescentou muito ao meu conhecimento”, relata.

>>> Leia também: Envelhecimento ativo é plural e enfrenta desafio da inclusão integral na sociedade, diz especialista 

Letícia Cruz – Afubesp

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