Campanha Nacional: Em 1ª negociação, Comando pleiteia mais vagas para PCDs, jornada 4×3 e garantia do direito à desconexão

Ocorreu nesta quinta-feira, dia 2 de julho, em São Paulo, a primeira mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), no âmbito da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. O encontro foi dedicado às cláusulas sociais da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com a apresentação das principais reivindicações da categoria para ampliar direitos e enfrentar os desafios das transformações no setor financeiro.

As reivindicações apresentadas pelos trabalhadores nesta mesa foram sobre cláusulas sociais relacionadas às: Pessoas com Deficiência (PCDs); Implementação da escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três dias de descanso; Defesa do teletrabalho e direito à desconexão e Segurança bancária digital.

PCDs

Com base na RAIS, o Comando Nacional destacou que o setor bancário possuía 18,7 mil trabalhadores PCDs em 2025 – número que representa 4,5% da categoria bancária. Em 2012 esse percentual era de 2,4%.

Diante desse quadro, o movimento sindical reivindica aumento de contratações de PCDs e que os mesmos tenham garantia de ascensão profissional.

O Comando Nacional também reivindicou o abono de faltas em caso de necessidade dos trabalhadores PCDs e aos pais e mães de crianças PCDs, para tratamentos ou exames de seus filhos.

A Fenaban respondeu que analisará as demandas do Comando Nacional.

Escala de trabalho 4×3

O Comando Nacional destacou que o processo de automação e usos de novas tecnologias no setor viabiliza a implementação da escala 4×3: quatro dias de trabalho e três dias de descansos.

O movimento sindical pontuou ainda que a redução de jornada teria o potencial de gerar mais de 429 mil empregos bancários – aumento de 103% do número de trabalhadores no setor.

Após um ano do projeto-piloto com empresas brasileiras, a 4 Day Week registrou os seguinte resultados da implementação da escala 4×3:

  • 84,6% das lideranças recomendam a iniciativa para outras empresas.
  • 93,4% das pessoas relataram maior colaboração com suas equipes, indicando que o modelo incentiva trabalho em conjunto.
  • As empresas também colheram benefícios operacionais, com 61,5% de melhoria na execução de projetos, 44,4% mais capacidade de cumprir prazos, e 83,3% das organizações relatando melhorias nos processos internos.
Para os trabalhadores, alguns dos impactos da redução da jornada foram:
  • 88,7% responderam ter mais satisfação com seu trabalho.
  • 86,2% dos participantes relataram ter mais energia para dedicar à família e amigos, enquanto 58,5% disseram conseguir equilibrar melhor a vida pessoal e profissional.
  • 79,5% dos participantes relataram sentir-se mais alegres e de bom humor, enquanto 66,2% disseram sentir-se mais ativos e com vitalidade.
Sobre esta demanda, a Fenaban propôs um estudo conjunto com os sindicatos sobre os impactos e a viabilidade da implementação da escala 4x3 no setor bancário.

Teletrabalho e direito à desconexão

O Comando Nacional defendeu a manutenção do teletrabalho, como uma conquista importante da categoria, obtida desde as negociações de 2020, ano da pandemia.

A representação do movimento sindical também cobrou que os bancos garantam o direito à desconexão, para que os trabalhadores não recebam mensagens das empresas nos intervalos, momentos de repouso, feriados, férias, licenças legais ou convencionais.

Segurança bancária

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que entre 2023 e parte de 2026, foram registradas 340.140 fraudes digitais bancárias no país. Entre 2023 e 2025, o total de ocorrências cresceu 60,8%, passando de 74.371 em 2023 para 119.611 em 2025.

Ultratividade

O Comando destacou que 65% dos bancários apontaram como prioridade a manutenção dos direitos já conquistados pela CCT. A Fenaban, entretanto, se negou a assinar um documento de ultratividade, repetindo o comportamento de anos anteriores.

Próxima negociação

A próxima mesa de negociação no âmbito da Campanha Nacional acontecerá na terça-feira, 7 de julho, quando o movimento sindical reivindicará medidas em defesa do emprego.

Os dirigentes sindicais organizam um dia nacional de luta para a próxima segunda-feira (6), com manifestações nas redes sociais e nas ruas. O objetivo é mobilizar a categoria em defesa do emprego, contra as demissões e fechamento de agências.
SPBancários com informações de Contraf-CUT

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