Sindicato envia carta à direção do banco espanhol posicionando-se contra política anti-sindical no país andino Braços cruzados
O Sindicato enviou nesta sexta, dia 18, uma carta à direção do Santander expressando repúdio à política anti-sindical do banco espanhol no Chile.
Os bancários do Santander no país estão em greve desde 3 de julho, lutando por reajustes salariais e por respeito à representação sindical. Em represália, o banco tem tomado medidas violentas contra os grevistas. No primeiro dia de greve, a presidenta da confederação dos sindicatos locais, Andrea Riquelme, foi agredida e teve que ser hospitalizada. No dia seguinte, a segurança do banco, comandada por Donald Segovia, um alto agente da ditadura de Pinochet, manteve o sindicalista Marcelo Rojas por uma hora sob cárcere privado. Marcelo também precisou ser hospitalizado.
“É inadmissível que o Santander, além de se negar a conceder reajuste salarial, já que os bancários chilenos têm piso inferior ao salário mínimo do país, desrespeite a manifestação dos trabalhadores, ainda mais utilizando-se de práticas desumanas com agressão, cárcere privado e tortura”, diz trecho da carta, endereçada aos cuidados de Gilberto Trazzi, superintendente de Relações Sindicais do banco no Brasil e assinada pela diretora do sindicato e funcionária do banco Rita Berlofa. O objetivo é que a mensagem chegue à sede do banco na Espanha.
Leia abaixo a íntegra da carta enviada pelo Sindicato
São Paulo, 18 de julho de 2008.
Ao Sr. Gilberto Trazzi,
Superintendente de relações sindicais do Santander
Assunto: agressão contra sindicalistas chilenos
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região repudia a ação violenta e antidemocrática que o Santander vem tomando contra os dirigentes sindicais chilenos para reprimir o direito de greve dos trabalhadores do banco espanhol naquele país. É inadmissível que o Santander além de se negar a conceder reajuste salarial, já que os bancários chilenos têm piso inferior ao salário mínimo do país, desrespeite a manifestação dos trabalhadores, ainda mais utilizando-se de práticas desumanas com agressão, cárcere privado e tortura. Vemos com preocupação e tristeza a prática ditatorial do banco espanhol de colocar em risco a vida dos dirigentes sindicais.
Vimos por meio dessa carta de repúdio cobrar do Santander respeito à vida, aos trabalhadores e à prática sindical no Chile. Faz-se necessário, com urgência, reverter está situação gravíssima, de forma a enterrar de uma vez por todas o pesadelo da repressão violenta vista antes, somente, pelas mãos da ditadura militar imposta nos país entre os anos de 1960 e 1980. A democracia é um preceito básico que precisa ser valorizado e respeitado.
Queremos desta forma demonstrar nossa solidariedade à presidenta de CSTEBA (a confederação dos sindicatos locais), Andrea Riquelme e ao dirigente sindical Marcelo Rojas vítimas da violência do banco espanhol.
Vamos continuar acompanhando diretamente a situação e nos colocamos à disposição para contribuir com uma solução pacífica e democrática. E exigimos a punição e demissão dos responsáveis pelos atos violentos, assistência às vítimas, retração do banco espanhol perante não só às centrais sindicais chilenas, mas a toda população do país, além do restabelecimento das negociações entre o movimento sindical e o Santander.
Atenciosamente,
Rita Berlofa
Funcionária do Banco Santander e diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região – CUT
fonte: Danilo Pretti Di Giorgi – Seeb SP