“Quando nos desesperamos para viver, encurtamos a vida”, diz terapeuta em palestra

Falta de vontade de viver, de sair da cama, de ser produtivo, entre outros sintomas. A depressão é um tema delicado e importante nos dias de hoje. Por isso, o Qualidade de Vida promoveu no último dia 27 de setembro no auditório da Afubesp uma palestra sobre o assunto com a terapeuta Luci Gameiro, aproveitando o mês da conscientização contra o suicídio – o Setembro Amarelo.

Os casos de depressão aumentaram quase 20% na última década, transformando-se na maior causa de incapacidade no mundo, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) no início do ano. Com a fitinha amarela da campanha fixada no peito, os participantes ouviram e interagiram sobre o assunto. Afinal, todos conhecem quem esteja atravessando um período difícil, ou esteja pessoalmente numa situação parecida.

Segundo Luci, quando o indivíduo está em depressão, a “anedonia” entra em ação. “Ela acontece quando o cérebro escolhe não sentir para não sofrer”, diz a especialista. Não sentimos carinho, e nenhum estimulo produz prazer para a pessoa. Por isso, ela se torna apática, e perde os características da humanidade.

No momento de um diagnóstico, diz Luci, é muito importante que o indivíduo procure mais de um médico, exija exames de imagem para a checagem cerebral. Quando entramos em quadros depressivos, o lóbulo frontal diminui, e com ela a capacidade da memória.

Em dias como estes, onde a produção no trabalho ou outras atividades nos tomam a maior parte do tempo, é propiciado um desequilíbrio químico: em vez de desfrutarmos de mais tempo de qualidade, exercício físico, lazer, coleguismo (atividades que liberam serotonina no corpo), vivemos em estresse intenso que estimula a produção do cortisol – que causa danos ao nosso corpo.

Para Luci, as pessoas perseguem a felicidade, tais como ideais, e afins. Quando percebem que a felicidade plena não existe, surgem as frustrações. “A vaidade é uma armadilha. Considerada pecado, só mudou de rótulo. Hoje se chama autoestima, mas continua sendo uma vicissitude. E se não tiver cuidado, pode te levar a uma depressão, a um suicídio”, afirma. A vaidade não suporta a vergonha, e por isso faz coisas inimagináveis para não ser esquecida.

Por isso, pode-se dizer que a autoestima é algo que nos é imposto por outros, enquanto que o amor próprio vem de dentro para fora. “Então, toda vez que entramos em desespero para viver, para realizar coisas, encurtamos a vida. Em um afogamento, não é a água que mata, e sim o desespero.”

Se souber de amigos, familiares ou conhecidos que estejam precisando de ajuda neste momento, sugira contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida), que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária todas as pessoas que querem conversar por telefone e internet por meio do 141 ou www.cvv.org.br.

 

Letícia Cruz – Afubesp

Fotos: Amanda Flor

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