Não se deixe enganar: dicas de como identificar vídeos feitos por IA

A Afubesp divulgou orientações para identificar vídeos gerados por inteligência artificial nas redes sociais. Especialistas recomendam verificar a fonte e desconfiar de conteúdos sensacionalistas. Sinais comuns incluem falhas em rostos, vozes artificiais, cenários incompatíveis e objetos distorcidos. Vídeos curtos, de baixa qualidade ou com cortes abruptos também podem indicar uso de IA.

O avanço da Inteligência Artificial tem enganado muita gente nas redes sociais. Uma pena, porque trata-se de uma ferramenta que pode ajudar muito o ser humano. No entanto, há quem a use para aplicar golpes e disseminar falsas verdades, por exemplo.

Apesar de ser um desafio identificar se um vídeo foi ou não gerado por IA, há alguns pontos que se observados podem evitar que você caia e compartilhe mentiras na internet. Para ajudar os associados, a Afubesp consultou dois profissionais que são especialistas neste assunto para dar dicas de como reconhecer vídeos do tipo.

“A gente sabe que a IA está cada vez mais próxima da realidade, e até para especialistas às vezes é difícil identificar. Por isso, o conselho que dou é desconfiar sempre e prestar atenção aos detalhes”, comenta Rodrigo Bonacin, cientista da computação e coordenador do curso de Inteligência Artificial da UniMAX (Indaiatuba) e UniFAJ (Jaguariúna).

Para ele, a primeira dica é observar a fonte: amigos, parentes e conhecidos nas redes sociais não necessariamente são fontes seguras, porque podem ter sido enganados também. “Mesmo que o vídeo tenha o logo de uma empresa de comunicação, isso não quer dizer que ele foi gerado por ela (pode ter sido incluído para confundir), verifique se o vídeo está postado no canal/página/timeline da empresa. Se desconfiar, busque ela na plataforma (ou na Web) e veja se está na postagem”, comenta Rodrigo.

Já o professor e membro do Comitê de Inovação do Senac Campinas, Braulio Marcondes dos Santos, alerta: “Se for algo extremamente “bombástico” — como uma notícia com potencial de mudar o mundo ou a economia de um país —, é fundamental manter a desconfiança. Fique atento a vídeos que mostrem situações exageradas ou improváveis, como animais agindo de forma extremamente humana, desastres naturais dignos de filmes de Hollywood. Por exemplo, vulcões gigantescos em erupção no Brasil ou maremotos em Minas Gerais. Conteúdos assim, por sua natureza fantástica, merecem uma análise ainda mais criteriosa”.

Confira abaixo o que observar nos vídeos e imagens compartilhadas nas redes:

Personagens que aparecem no vídeo

Nos conteúdos de IA são muito comuns erros e inconsistências, como pele muito lisa e sem manchas, rosto que não condiz com o restante do corpo.

Os olhos costumam piscar de forma incomum, manter o olhar fixo na câmera ou exibir reflexos incompatíveis com o ambiente retratado.

A movimentação da boca pode parecer estranha, com distorções ou borrões, dando a impressão de dublagem. Os dentes tendem a ser excessivamente perfeitos, simétricos e brancos. Sorrisos muito brilhantes são motivo de desconfiança.

“Vozes robóticas, com pausas artificiais, sem respiração ou com locução excessivamente perfeita — sem ruídos ou som ambiente — são fortes indícios de uso de inteligência artificial”, explica Braulio.

 

Ambiente e objetos

Os cenários podem indicar o uso de inteligência artificial quando não condizem com o conteúdo apresentado. Por exemplo, em uma notícia regional sobre o calor no interior de São Paulo, pode ser estranho ver o apresentador usando roupas de frio, em um estúdio com estilo norte-americano e legendas em outro idioma. Esse tipo de incompatibilidade é um sinal relevante para desconfiar da autenticidade do material.

Fique atento se o vídeo não traz animais, paisagens ou comportamento conflitantes (ex: a notícia é do Brasil, mas a viatura policial que aparece no vídeo é caracterizada como uma dos EUA).

Os objetos presentes na cena também podem apresentar distorções visuais, como pessoas que desaparecem subitamente ou falhas na imagem. “Esses problemas são comuns em vídeos gerados por IA e merecem atenção especial do espectador”, comenta Braulio.

Verifique ainda se há inconsistências na iluminação, brilho, sombras que não correspondem à fonte de luz presente, podendo até haver sombras duplicadas.

 

Qualidade e duração do vídeo

Vídeos com baixa qualidade ou que aparentam ter sido gravados por câmeras de segurança podem ter sido propositalmente deteriorados. Muitas vezes, produtores de fake news reduzem a qualidade da imagem ou aplicam filtros para esconder imperfeições, comuns em vídeos gerados por IA.

As ferramentas atuais produzem apenas alguns segundos de conteúdo por vez, geralmente cerca de 8 segundos. Portanto, vídeos muito curtos ou que parecem “remendados”, com cortes abruptos, devem acender um sinal de alerta quanto à sua autenticidade.

 

Presença de erros gramaticais e logotipos


É fundamental atentar-se a placas, fachadas e letreiros em geral, pois a inteligência artificial ainda encontra dificuldades ao reproduzir textos nesses elementos. Erros gramaticais, letras e números distorcidos ou difíceis de identificar são indícios frequentes em vídeos sintéticos.

Além disso, confira se não há algum logotipo indicando que foi feito por inteligência artificial. Busque por marcas d’água nos cantos dos vídeos (Sora, Veo, Runway, entre outras). Borrões e desfoques também podem ter sido adicionados para esconder esses indícios.

Mas, é importante saber que, há quem faça vídeos do tipo sem a intenção de enganar as pessoas, mas de reproduzir algo ou mesmo divertir. Nesses casos, a própria pessoa que fez costuma indicar que foi gerado por IA.

Rodrigo faz um alerta importante: “Fique atento também aos “falsos positivos”, embora ainda não sejam tão comuns, pessoas e empresas podem argumentar (sem evidências) que um vídeo foi feito por IA, para desqualificar o conteúdo. Se desconfiar disso, não argumente imediatamente, antes verifique se foi postado em várias fontes confiáveis, etc.”

Braulio completa: “use a inteligência artificial a seu favor—se estiver desconfiado, faça uma captura de tela da parte mais suspeita e envie para o ChatGPT ou Gemini, perguntando se aquele vídeo foi criado por IA. Essas ferramentas podem analisar e fornecer informações úteis para identificar uma fake News”.

Crédito: imagem gerada por IA/Gemini

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