Consciência Negra: o compromisso com a luta antirracista e por um país mais justo

Pleno 2025, a população preta no Brasil segue trabalhando em subempregos, com remuneração inferior e alvo da violência de estado de todas as formas.

O Dia da Consciência Negra, lembrado em 20 de novembro, é momento de reconhecer o quanto a cultura negra molda o Brasil e oferece caminhos concretos para enfrentarmos nossas desigualdades com mais políticas públicas e por mais valorização no trabalho.. Em um país onde 56,7% da população se identifica como preta ou parda, segundo o último levantamento do PNAD Contínua, não há como pensar futuro sem olhar para essa herança.

Os números mostram que ainda há muito a avançar. A taxa de informalidade continua maior entre homens e mulheres negras, e a renda média das trabalhadoras negras segue muito abaixo da de outros grupos. Ainda assim, é dessa experiência marcada pela resistência que emergem práticas sociais, afetivas e culturais capazes de reposicionar o debate e apontar caminhos para um país mais solidário e mais consciente de si.

A cultura negra ensina cooperação, circularidade e cuidado, que são valores presentes nas comunidades quilombolas, nos terreiros, nas rodas de samba, nos coletivos culturais das periferias. Esses espaços carregam, há séculos, saberes que ajudam a repensar políticas públicas, convivência e formas de enfrentar crises sociais. Ao olhar para essas potências, o Brasil reencontra maneiras de construir pertencimento e fortalecer redes de apoio, algo essencial em um cenário de desigualdade ainda tão profunda.

Como explica a ativista Lia Rodrigues, que atua em projetos socioculturais na favela da Maré, no Rio de Janeiro, “a cultura negra não está pedindo licença para existir; ela está mostrando todos os dias que há uma outra forma de viver em uma comunidade mais coletiva, mais criativa e mais justa, após tanto tempo silenciado. Quando o Brasil reconhece isso, ele reconhece a si mesmo”, destaca.

Não só nessa data, mas todos os dias, a Afubesp reforça seu compromisso com a luta antirracista e com a valorização da cultura negra como parte fundamental da democracia brasileira. Defender igualdade racial é também defender melhores condições de trabalho, de vida e de reconhecimento para a maioria da população.

Letícia Cruz – Afubesp

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