Atenção, bancário: não trabalhe sem condições de saúde. Respeite o atestado!

São recorrentes os casos de trabalhadores da Torre, como é conhecida a sede do Santander Brasil, que insistem em trabalhar com braços ou pernas engessados, imobilizados, ou até com muletas. O Sindicato reforça que todo trabalhador doente ou lesionado deve procurar um médico.

“Trabalhar nessas condições, só com recomendações claras e acompanhamento médico. O atestado médico deve dizer claramente em quais condições o funcionário deve reassumir suas funções, se existe restrição de horário, de atividade e de ambiente”, afirma Lucimara Malaquias, dirigente sindical e bancária do Santander.

A dirigente enfatiza que essa realidade na qual pessoas trabalham sem condições clínicas é sujeita a denúncia e inspeção do Ministério Público do Trabalho. Os bancários devem acionar o órgão ou o Sindicato. O sigilo é garantido.

O exercício da função laboral, dependendo da doença ou lesão, pode levar ao agravamento da condição clínica e deixar sequelas irreversíveis no médio e longo prazo.

Se o acidente ocorreu durante o horário de trabalho e no exercício da função, o banco é obrigado a emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). O documento serve para reconhecer tanto um acidente de trabalho como uma doença ocupacional. Garante respaldo legal para o trabalhador e possíveis indenizações e responsabilização do banco.

Caso o banco se recuse a emitir a CAT, o trabalhador deve procurar o Sindicato, que encaminhará o pedido para CRST Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (CRST). Mediante avaliação, o órgão fará a emissão da CAT, que também é importante para perícia no INSS e possíveis afastamentos.

Os gestores podem e devem ser os intermediários entre o banco e o trabalhador nas orientações e fiscalizações caso o trabalhador tenha atestado para trabalhar lesionado. O atestado é uma garantia para o banco e para o trabalhador.

“A carga de trabalho, a pressão por metas e a falta de funcionários induzem o trabalhador a ignorar a própria condição física ou psicológica para dar resultado e ser útil. O discurso da meritocracia leva os trabalhadores a condições desumanas de trabalho. E as consequências são drásticas. O trabalhador não deve se submeter a esse tratamento e o banco tem que respeitar o atestado médico”, afirma Lucimara.

Direção do Santander negligencia saúde dos bancários

Além da pressão por metas abusivas que adoecem um grande número de funcionários, o banco ainda cobra coparticipação para atendimentos nos ambulatórios dos seus centros administrativos.

O serviço que antes era gratuito agora é administrado pelo Hospital Sírio Libanês. O banco também alterou de forma unilateral o convênio médico, que agora oferece uma rede credenciada inferior ao anterior, cobra valor alto de coparticipação, o que dificulta e encarece os tratamentos de saúde para o trabalhador.

Os desrespeitos com a saúde dos trabalhadores não param por aí. A Semana Interna de Prevenção de Acidentes (Sipat) agora é feita online.

“A Sipat é um ótimo espaço para o banco trabalhar esses assuntos internamente”, ressalta Lucimara. “Além disso, o Santander pode, durante o ano todo, trabalhar em campanhas de prevenção de acidentes e de orientação para pessoas já acidentadas. No longo prazo, o retorno para o banco poderá ser super positivo, reduzindo a quantidade de pessoas afastadas e inclusive o número de ações trabalhistas por indenização”, opina Lucimara.

 

SP Bancários

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