Afubesp denuncia contratações fraudulentas do Santander ao secretário da Fazenda do Estado

A convite do deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino, a Afubesp participou na segunda-feira (25) de reunião com o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Samuel Kinoshita, com o objetivo de denunciar a transferência de trabalhadores do Santander para empresas de tecnologia que pertencem ao banco.

A medida, além de precarizar o trabalho bancário, mais parece um mecanismo de corte de gastos – uma vez que fintechs como a F1RST , Tools e Pulse (antigo SX) desfrutam de largas vantagens fiscais. Já foram transferidos mais de 12 mil trabalhadores, só para essas três empresas.

Maria Rosani, presidenta da entidade, representou – além da Afubesp – a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander na mesa, tal como as entidades sindicais que estão juntas nessa luta.

Ela apresentou dados que deixam claro o efeito das contratações: “Para o banco, transferir os bancários que possuem representação sindical e direitos historicamente conquistados significa economia na folha de pagamento. Para os funcionários, isso se traduz em perdas em remuneração, benefícios, e um desamparo absurdo quanto à representação sindical e de direitos”, diz.

O secretário se comprometeu a levantar e analisar as informações.

Rosani aproveitou o ensejo para falar do problema do reajuste dos banespianos que são feitos pela Fazenda. Clique aqui para ler sobre. O jurídico da Afubesp enviará documento para a apuração do órgão e, assim que houver novidade, a associação vai noticiar.

Ainda sobre o tema das terceirizações, a dirigente Silmara Silva também representou os bancários do Santander sobre o assunto na última terça (19), desta vez no Ministério do Trabalho, em Brasília. A reunião também foi articulada pelo deputado Marcolino. Participaram do debate o ministro Luiz Marinho, o secretário de Inspeção do Trabalho Luiz Felipe Brandão e o secretário de Relações do Trabalho, Marcos Perioto. A COE Santander, por meio de sua coordenadora Wanessa de Queiroz, está à frente dos debates.

“A nossa principal denúncia na ocasião foi a precarização das relações de trabalho pelo Santander, o que fere a CCT da categoria”, disse Silmara. O ministro Marinho reconheceu a gravidade da situação e demonstrou disposição para aprofundar o tema.

Entenda

A partir de 2021, houve um registro massivo de transferência de trabalhadores lotados em áreas de tecnologia na cidade de São Paulo para a F1RST, com alteração de representação sindical. A mudança nos CNAEs (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) desses funcionários para “Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda” representa uma remuneração média 23% inferior à do registrado no banco.

Dados elaborados pelo Dieese mostram que a despesa com o quadro de funcionários do banco caiu de 22,7% (equivalente a R$ 2,5 bilhões) enquanto a despesa de pessoal das controladas e coligadas subiu 130,2%, o que evidencia a transferência entre as estruturas. Além disso, as fintechs do conglomerado possuem isenções tributárias.

A desoneração da folha de pagamentos garantiu isenção de R$ 177 milhões a três empresas do Grupo Santander (F1RST, Pulse e Tools) entre janeiro de 2024 a fevereiro de 2025, segundo dados do Ministério da Fazenda. Só no ano passado, o grupo teve redução de 19% nos impostos incidentes sobre o lucro – ou seja, deixou de ser recolhido um valor equivalente a R$ 1,5 bilhão.

Com isso, toda a sociedade sai no prejuízo. São milhões e milhões de reais em impostos que deixam de fomentar a saúde pública, o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o maior fundo para a habitação do país), a previdência social e a economia como um todo.

Letícia Cruz – Afubesp

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