Terceirizado do Santander não sabe o que são férias

Prestador de serviços é refém de contratos temporários para se manter empregado e ficar sem esse e outros direitos

São Paulo – O Centro Administrativo Santander (Casa 3) reúne situações que refletem quão difíceis são as condições de trabalho a que estão submetidos os prestadores de serviço dos bancos. A unidade, em Interlagos, zona sul da capital, reúne cerca de 3.500 trabalhadores – a maioria deles já terceirizada – e foi um dos paralisados na sexta 29, Dia Nacional contra o PL da Terceirização, a retirada de direitos, em defesa da democracia e pelo fim do fator previdenciário.

Relatos dos terceiros apontam que a situação é a mesma nas mais diversas colocações: direitos reduzidos e incerteza quanto ao futuro. E uma unanimidade: todos são contrários à terceirização.

O funcionário Hermano (nome fictício) diz não saber o que são férias há três anos. “Sempre tive oportunidades em bancos mas, de uns tempos para cá, a situação ficou muito difícil. Como tenho experiência, comecei a trabalhar por contratos de oito, nove meses. Quando acaba, para não ficar sem nada, começo outro. Nisso já se vão mais de três anos que estou sem férias, ganhando bem menos do que quando tinha emprego fixo, e ainda pulando de um setor para outro do Santander e outras empresas. Se esse projeto da terceirização passar, acho que nunca mais terei emprego decente.”

Hermano é especializado no setor de tecnologia, mas os problemas causados pelos contratos temporários também provocam transtornos e, em muitos casos, revolta entre as pessoas que exercem outras tarefas.

Uma delas é Olívia (nome também fictício) que passou por diversas empresas terceirizadas, mas sempre no setor de apoio do Casa 3. “Eu e meus colegas já estamos na quarta terceirizada. Acaba o contrato, a gente é ‘mandado embora’ e passa para outra empresa. Nessas mudanças tem muito calote. Eu mesma estou sem receber a indenização do último emprego e estou pelejando para que me paguem. Tenho um colega guarda (vigilante) de banco que quase todo o mês a terceirizada atrasa o salário.”

João (nome fictício) trabalha em outro setor do Casa 3, fazendo os mesmos serviços dos bancários, mas diz que seu salário chega a ser a metade em relação aos deles e ainda não tem o vale-alimentação. “As pessoas têm de saber que o terceirizado é muito, mas, muito explorado. Quando pedimos aumento de salário, sempre falam que não podem dar, pois dependem do que recebem do banco”, explica o trabalhador. “Então acho muito justo o que o Sindicato está fazendo para alertar as pessoas. Quero deixar de ser terceiro e ser contratado pelo Santander. Não quero que aconteça o contrário. De os meus colegas bancários ficarem na mesma situação que eu.”

Entre os setores do Casa 3 que contam com grande número de terceirizados estão o de tecnologia, governança, homologação, entre outros.

Seeb SP

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