Banco deve garantir a segurança com contratação de pessoal e mais equipamentos, defende Ademir Wiederkehr, da Contraf
Os funcionários do Santander no Rio de Janeiro receberam no último dia 29 de novembro um comunicado em que o banco espanhol recomendava aos bancários “alerta máximo nos procedimentos de segurança” em função dos eventos ocorridos na cidade, como a retomada do Complexo do Alemão pelo poder público. No entanto, apesar de toda essa aparente preocupação, a instituição não anunciava nenhuma medida para reforçar a segurança das agências, como a contratação de mais vigilantes e a melhoria da estrutura de prevenção contra assaltos e sequestros.
“Com esse comunicado, o banco parece querer jogar nas costas dos funcionários uma reponsabilidade que não é deles. A segurança deve ser garantida pelo banco, com a contratação de mais vigilantes e ampliação dos equipamentos. Os lucros altíssimos do Santander no Brasil, que já representam 30% dos resultados do grupo em todo mundo, permitem com folga fazer esse investimento necessário na proteção da vida dos trabalhadores e clientes”, afirma Ademir Wiederkehr, funcionário do Santander, secretário de imprensa da Contraf-CUT, coordenador do Coletivo Nacional de Segurança, que também é diretor da Afubesp.
“Já não basta correr atrás de metas de venda inatingíveis, agora o bancário tem que se preocupar também com a segurança do banco? Isso não é papel dos funcionários, o banco é que tem que se preocupar com segurança de seus trabalhadores”, ressalta Paulo Garcez, funcionário do Santander e diretor da Federação dos Bancários do Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Ele lembra que os bancários cariocas já sofrem bastante pressão por conta dos sequestros, crime bastante comum na capital fluminense. “Já temos que tomar cuidados específicos nas ruas por conta da situação da cidade em que vivemos, escondendo crachás e evitando uniformes que possam nos identificar como bancários para evitar sequestros. Não podemos ter essa preocupação dentro das agências também. Esse papel é do banco”, completa Garcez.
Ao invés de alertar os bancários, o Santander devia revogar os efeitos do memorando interno divulgado em março do ano passado, onde manda os gestores a cortarem “um vigilante efetivo e/ou a redução da rendição de almoço”. Segundo o documento, que está na contramão da segurança, as unidades que contavam com “três vigilantes, sendo um no hall eletrônico e dois internos” deveriam passar a ter, no horário de refeições, “um vigilante no escudo, se possuir” e outro no hall eletrônico.
“O memorando mostra não apenas que o banco orientou uma redução no número de vigilantes, aumentando os riscos para a vida de seus trabalhadores e clientes. Além disso, revela que nem todas as unidades possuem o escudo para os vigilantes, um equipamento importante para o trabalho e a segurança dos vigilantes”, aponta Ademir. “É um grande desrespeito com a vida das pessoas. O banco prefere cortar custos em vez de investir na segurança”, conclui o diretor da Contraf-CUT.
Contraf-CUT com Feeb RJ/ES