Para a presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão, Claudia Ricaldoni, quem nega os conflitos entre participantes e patrocinadores dos fundos na verdade não quer discutir mudanças para não perder poder. “Aprendi no movimento sindical que só negocia e vence quem tem força”, disse na reunião que teve nessa terça-feira, 1º de fevereiro, com diretores da Afubesp e CNAB. “Por isso é tão importante a capacitação e articulação dos quadros que lutam por maior democratização, participação e transparência na gestão dos fundos”.
Segundo ela, a Anapar nasceu exatamente para apoiar técnica e juridicamente quem busca melhorar o sistema de previdência complementar no que ele deveria ter de essencial, o pagamento dos benefícios aos assistidos, e para ajudar a colocar o tema nas pautas de reivindicações dos sindicatos. “Nessa quarta-feira dia 3, por exemplo, vamos discutir em Brasília na Previc o ‘exemplo de democracia’ do SantanderPrevi, onde a patrocinadora indicou quais seriam os ‘representantes dos participantes’, tentando impedir a eleição transparente de representantes legítimos”.
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Pessoal Pré-75
Além da questão do SantanderPrevi, Cláudia recebeu do coordenador da CNAB, Herbert Moniz, toda a documentação dos processos de 10 anos de luta do pessoal pré-75 pela recuperação dos títulos públicos, reservados pela Resolução 118/97, que serviam de seguro financeiro das aposentadorias e foram entregues ilegalmente ao Santander.
“Se não fosse o empenho e determinação dessa geração de sindicalistas que combateram a privatização, o Banesprev e a Cabesp tinham dia e hora para acabar, deixando os banespianos sem proteção”, conta Moniz. “Mas com o apoio de alguns senadores do PT, em especial o Suplicy, conseguimos garantir na Resolução 118 a preservação dos direitos adquiridos”.
“Esse é apenas um primeiro encontro entre nossas entidades e vamos analisar com cuidado todos os processos para ver como podemos ajudar nas suas justas reivindicações”, disse Claudia. “Uma das questões que desde já me parecem boas para brigar juridicamente é a apropriação pelo patrocinador dos superávits do Plano V, porque já há decisões no sentido de repassar esses valores para os assistidos e participantes”. Na seqüência, Claudia teve outra reunião com diretores do Sindicato dos Bancários de São Paulo para discutir questões do Santander e também de fundos de outros bancos como a Previ.
Texto e foto: Vinícius Souza
Vídeo: Camila de Oliveira