Bancários se manifestam ao MPT contra terceirização no Santander

O Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Paulo acionou o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região para que se manifeste sobre denúncia anônima encaminhada ao MPT feita por um trabalhador do Santander que não concorda com a terceirização e com as novas condições de trabalho impostas pela F1RST, incluindo a remuneração e a representação sindical.

O Sindicato apresentou manifestação com todos os detalhes acerca da terceirização na área de tecnologia, e também inseriu neste documento informações sobre os processos de terceirização em curso através da empresas SX Negócios/Toquefale e Prospera.

A terceirização dos bancários do Santander por meio da F1RST será iniciada no dia primeiro de janeiro de 2022. Ou seja, os trabalhadores de tecnologia do banco e de algumas áreas coligadas passarão a ter a F1RST como sua empregadora já no mês que vem.

“A luta não acabou e será permanente até que os bancos interrompam e revertam este processo que representa redução salarial e precarização das relações de trabalho para os empregados”, afirma Lucimara Malaquias, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados do Santander e dirigente da Afubesp.

Desde agosto, o movimento sindical tenta estabelecer um processo de negociação para resolver esse conflito de forma a garantir vantagens para todos os envolvidos. Mas o Santander se recusou a negociar. Portanto, o Sindicato avalia agora os caminhos jurídicos para resolver o conflito.

É importante que os trabalhadores que passarão a ser empregados da F1RST se sindicalizem como sócios parceiros do Sindicato, porque quando mudar o CNPJ da empregadora, as sindicalizações atuais serão canceladas.

“O Sindicato não desistiu dessa luta e não estão descartadas novas manifestações nos locais de trabalho. Conclamamos todos os trabalhadores do banco Santander, bancários e terceiros, a se mobilizarem contra a terceirização, pois não está descartado o avanço deste processo para outras áreas do banco, atingindo mais trabalhadores. Mas para que essa luta tenha mais força, é preciso que os trabalhadores se sindicalizem”, afirma Lucimara, que também é diretora do Sindicato.

Atuação contra terceirização

Por entender que a terceirização representa precarização do trabalho e redução salarial, o Sindicato dos Bancários e de São Paulo, Osasco e Região sempre foi radicalmente contra a terceirização, tendo promovido inúmeros protestos e atividades contra a implantação deste tipo de regime de trabalho ao longo dos últimos anos.

Estudo feito pela CUT e pelo Dieese, com base nos dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), mostra que o terceirizado ganha, em média, 24,7% a menos que o empregado direto, tem carga horária 7,5% maior, permanece menos da metade do tempo do trabalhador direto no emprego e fica mais suscetível a acidentes de trabalho, visto que a cada dez acidentados, oito são funcionários indiretos.

Reforma trabalhista retirou direitos e precarizou o trabalho

A reforma trabalhista que legalizou a terceirização foi promulgada em julho de 2017, e entrou em vigor em novembro do mesmo ano, com a promessa de gerar 6 milhões de empregos.

“É uma lei visivelmente idealizada pelos empresários visando aumentar os lucros por meio da precarização das relações de trabalho, aprovada após o golpe parlamentar de 2016 e que desde então vem retirando uma série de direitos dos trabalhadores. Uma forma de comprovar isso é analisar o resultado da nova legislação, que, passados mais de quatro anos da sua aprovação, gerou apenas trabalho precário, desemprego e informalidade, haja vista os mais de 13 milhões de desempregados atuais, segundo o IBGE”, afirma Lucimara.

Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região

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