
“Histórias sedimentadas” na cabeça do autor fazem parte da narrativa do movimento sindical das décadas de 1960-1970
O banespiano Walter Paixão lançou na terça-feira (1), no auditório da Afubesp, a publicação “Lenga-lendas de um Pequeno Burguês”, que conta histórias cheias de utopias sobre sua vida e militância. O livro retrata como foi a luta dos bancários na época da ditadura militar, entre outras passagens.
Foi configurado em debate no lançamento. A mesa foi composta por Walter Paixão, Oliver Simioni da CNAB, pelo banespiano e sindicalista Paulo Skromov, além do coordenador da Rede Brasil Atual Paulo Salvador e Silvio Aragusuku, diretor de formação da casa.
Camilo Fernandes, presidente da Afubesp, fez uma breve saudação no início do evento. “Agradeço ao Walter (Paixão) por escolher a Afubesp para o lançamento. Espero que a gente aproveite muito deste debate”, ressaltou.
Paulo Salvador fez a resenha do livro (que pode ser conferida aqui)
“Quando vi o livro, prometi que leria até a próxima noite, e foi dito e feito”, disse Paulo, afirmando ainda que o livro diz muito para a vida das pessoas como história. “Cada um vai aprendendo coisas sobre as injustiças, tanto com parentes, movimento sindical, política, com a opressão”, pontuou Salvador.
Testemunha ocular dos fatos, Paulo Skromov reforça que o propósito da atividade é refletir sobre as ameaças à democracia. Contou sobre a atuação de ambos no Banespa, desde o concurso do Banespa prestado em 1965 e a entrada na matriz da João Brícola, ao nascimento do Coletivo Participação Coletiva e a militância política.
“É preciso se reencontrar com esse passado. É a primeira vez que podemos vir falar sobre essa história de todos nós”, destacou.
Paixão, com uma trajetória rica em momentos decisivos, foi preso durante o trabalho no prédio do Banespa e levado ao DOPS na época da ditadura. Em sua exposição durante o lançamento, contou como o livro foi concebido.
“Estas histórias foram se sedimentando na minha cabeça em conversas comigo mesmo. No meio dessas lembranças, a gente se lembra de situações e pessoas”, disse.
Sociologicamente não poderia ser classificado em outra classe que não “pequeno burguês”, segundo ele. A expressão no título do livro se refere à sua classe. Ainda jovem, estudou, passou no concurso, e começou a trabalhar engravatado no Banespa.
“Em determinado momento, abracei a causa do comunismo, e vivi esta realidade por 20 anos”, disse.
Porém, no começo dos anos 1980, decidiu abandonar a militância política por perceber que o modelo que defendia estava fracassado.
“O sindicato era para ser utilizado como instrumento para a revolução. Agora, vemos um modelo mais norteamericano, onde o objetivo é puramente salarial”, avaliou.
“Ainda hoje acredito que um sindicato dentro de uma visão corporativista nada tem a contribuir para a sociedade. Para mim, os sindicatos devem ter uma visão mais política”, ressaltou Paixão. Ainda assim, nunca deixou de se envolver.
Para Paixão, “temos de pensar num novo mundo, uma nova realidade”.
A publicação “Lenga-lendas de um pequeno burguês” (Editora In House) está disponível nas livrarias.