Realizada nesta terça-feira (7), a segunda rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários, o movimento sindical apresentou aos bancos dados sólidos de que o setor está na contramão do mercado de trabalho. Entre 2015 e maio de 2026, os bancos reduziram em 93,3 mil os postos de trabalho. No mesmo período, o setor reduziu em 42% (9,5 mil) a rede de agências, o que representa 30 agências por semana.
A eliminação de postos de trabalho e de agências ocorre enquanto os bancos seguem batendo recordes de lucro. Só em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões. O Comando Nacional apontou também que o aumento de contratos dos bancos com correspondentes bancários foi de 49%, entre 2015 e 2025.
Diante desse cenário, o Comando Nacional exigiu, como prova de boa-fé, que os bancos suspendam as demissões e o fechamento de agências, durante as negociações. A Fenaban, porém, negou os pedidos.
Demissões em massa prejudicam mais mulheres
A também foi destacado que do total de postos de trabalho eliminados entre 2020 e maio de 2026, 25,5 mil (79% do total) eram ocupados por mulheres. Como sugestão para conter a queda de mulheres no setor, o movimento sindical pediu a estabilidade de emprego às mulheres vítimas de violência doméstica e também o fortalecimento das ações de qualificação e requalificação de mulheres em tecnologia da informação (TI), conquistadas na Campanha Nacional Unificada de 2024.
Fim das terceirizações e retorno das homologações nos sindicatos
O Comando Nacional reforçou a reivindicação pelo fim das terceirizações. Os representantes dos trabalhadores exigiram o retorno das homologações nas entidades sindicais, como proteção aos trabalhadores.
Outras exigências do Comando Nacional foram:
– Indenização adicional em caso de demissão; e
– Criação de um banco de talentos bancários.
Comando Nacional rebate dados da Fenaban
Na tentativa de rebater os argumentos do movimento sindical, a representação dos bancos destacou que, entre todas as instituições financeiras do país, 236 apresentaram ROE (sigla que define o principal medidor de lucros e prejuízos das empresas) negativa.
Os bancos estão inseridos no sistema financeiro. Portanto, segundo dados do Banco Central, levantados pela assessoria do Dieese, em 2025, as empresas bancárias registraram ROE média de 14,9%, acima dos 14,7% das cooperativas.
Também a título de comparação, a ROE das Instituições de Pagamento (IPs) no ano passado foi de 22%, influenciada pelo resultado do Nubank. Quando retirado o Nubank, a ROE média caiu para 13,7%, percentual também muito abaixo 14,9% dos bancos.
Devolutivas
Ao final da mesa, os representantes da Fenaban negaram:
– O fim das demissões e do fechamento de agências.
– O pedido de estabilidade para toda a categoria durante o processo negocial, bem como às mulheres vítimas de violência doméstica.
– O pedido de indenização adicional em caso de demissão.
E ficaram de avaliar:
– O retorno das homologações nos sindicatos.
– Reforço e ampliação das cláusulas de qualificação e requalificação de trabalhadores na área de TI.
– Criação de um banco de talentos bancários.
O movimento sindical destacou que irá continuar defendendo as reivindicações feitas no encontro desta terça-feira (7).
Contraf-CUT