Enquanto os banqueiros lucram cada vez mais, agências bancárias desaparecem nas cidades, clientes ficam mais expostos aos golpes digitais e, principalmente as pessoas mais idosas, são excluídas da realização de operações financeiras básicas. Essa é uma realidade exposta pela campanha “Eu quero + agências”, de iniciativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, que visa reunir mais de cinco mil nomes em um abaixo assinado para pressionar os bancos.
O fechamento de agências têm sido alvo de protestos e críticas também da Afubesp ao longo dos anos por conta do número alarmante de unidades fechadas pelo Santander. Em um ano, o banco fechou 579 pontos de atendimento, incluindo lojas e PABs. Segundo dados do Banco Central, o número de agências físicas caiu de 2.430 em dezembro de 2024 para 1.695 em dezembro de 2025, uma redução de 735 unidades.
A luta contra o encerramento de pontos é de todos, pois afeta toda a sociedade, de bancários a clientes. “Nem tudo se resolve pelo celular. Idosos dependem de atendimento presencial, e têm direito ao atendimento prioritário por lei. Pessoas com deficiência encontram barreiras nos aplicativos. Trabalhadores informais precisam de acesso físico. Agências são infraestrutura de bairro: quando fecha, o comércio perde movimento e a economia local enfraquece”, explica a campanha.
Um estudo global da Accenture (Top Banking Trends 2026) mostra que consumidores preferem agências para tudo que é complexo: investimentos, empréstimos, resolução de problemas. 63% dos clientes gostariam de um banco físico que ajudasse a organizar a vida financeira. 76% usariam micro-agências ou pontos inteligentes.
Além disso, o fechamento de agências piora o serviço digital. Menos trabalhadores, menos suporte. Mais automação, mais erros. Foi registrado aumento de 23% nas reclamações nos canais digitais.