
No último dia 31 de outubro, o programa Qualidade de Vida realizou uma palestra sobre Saci-Pererê x Hallowen, sobre a invasão cultural estrangeira e o Saci como patrimônio cultural dos brasileiros.
Na oportunidade, foram desfeitas alguns mitos sobre ele. Para quem achava que o Saci era uma figura maléfica e pertencia a Monteiro Lobato, por exemplo, enganou-se. O menino negro de uma perna só era índio e tornou-se Guardião da Floresta, de acordo com Robson Moreiro, ator, jornalista, sócio-fundador e atual presidente da SOSACI – Sociedade dos Observadores de Saci.
O palestrante contou que, em 23 de julho de 2003, um certo grupo de amigos na cidade de São Luiz de Paraitinga, interior de São Paulo, resolveram resgatar o mito Saci Pererê como cultura popular brasilleira, por conta da invasão do Estados Unidos da América no Brasil através do Halloween.
“Quando percebemos essa invasão surgiu a ideia: temos que resistir. Vamos Observar Saci”, explicou Robson Monteiro. “Não somos contra o Halloween, queremos ser a favor da nossa cultura”, ressaltou o palestrante.
Assim, no dia 7 de setembro daquele mesmo ano realizaram “O grito da Liberdade”, e em 31 de outubro seguinte organizaram a 1º festa do Saci em São Luiz do Paraitinga.
“Conseguimos entrar na Câmara Municipal de São Luiz com o pedido de reconhecimento do Dia do Saci, os vereadores aprovaram e o prefeito sancionou a lei”, contou. “Hoje São Paulo e outros estados reconhecem a lei, mas infelizmente ainda não honram nas escolas”, afirma.
História do Saci
Segundo Moreira, o Saci não nasceu do escritor Monteiro Lobato como muitos imaginam, mas sim uma das pessoas que o viu. Conta-se que o escritor adorava frequentar o Jardim da Luz e que, num certo dia ao passear por ali deu um trupicão (tropeço) em um gnomo. “Que diabo é esse bicho que tá aqui?”, falou Lobato na interpretação do ator.
Dias depois, o escritou publicou em sua coluna no Estadinho (Estado de S.Paulo) a experiência vivida por ele no Jardim da Luz e pediu às pessoas que conhecessem o Saci que o enviassem materiais. O resultado foi o recebimento de um grande número de histórias que o fez editar o livro: Saci o resultado de um Inquérito.
Moreira contou que essa figura de uma perna só nasceu entre os índios Guaranis, na fronteira do Brasil com a Argentina. Foi criado pelos índios, com o nome Iaci Iaterê, como um garoto de duas pernas.
Os índios deram a Iaci a missão de fazer coisas na aldeia para alegrá-los. Assim, o menino começou a fazer brincadeiras, como esconder o cachimbo do pajé e do cacique para os índios rirem.
Quando começou a percorrer o entorno da aldeia, descobriu que pessoas tiravam a caça dos índios, e decidiu espantá-los. Foi assim que Iaci encontrou sua turma na floresta, como Boto, o Boitatá, a Mula sem cabeça, entre outros, e foi batizado de Saci, o Guardião da Floresta.
Com a miscigenação de povos, o Saci transforma-se em negro e escravo, e foi capturado em uma tentativa de fuga. Depois de ser preso no grilhão, ele tem a perna amarrada numa corrente e fica lá sem água e sem comida. Foi quando preferiu cortar a perna para ganhar a liberdade, a perna, que desapareceu num piscar de olhos, assumindo assim as características conhecidos por todos os brasileiros.
Para saber mais sobre Saci acesse o site www.sosaci.org
Assista o documentário Somos todos Sacys – http://vimeo.com/1160965
Foto e texto: Camila de Oliveira – Afubesp