Palestra sobre ateísmo gera boas discussões entre os participantes do Qualidade de Vida

A última palestra do ano promovida pelo programa Qualidade de Vida da Afubesp na quarta-feira, 28, abordou um tema polêmico. “Dizem que não existe ateu em avião que está caindo. Discordo, não existe é cristão quando está doente, parece que Deus atende melhor às preces quando se está no Sírio Libanês do que no SUS, não? Provocou o palestrante, sugerindo que na hora do aperto, as pessoas procuram mesmo é apoio do que parece ser o melhor em termos tecnológicos.

Fundador e presidente da ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), Daniel Sottomaior Pereira conversou com os participantes do Qualidade de Vida por cerca de duas horas sobre o assunto, respondendo a dúvidas e levantando questões. “Uma instituição na qual as mulheres não pudessem ocupar os altos cargos e só estivessem lá para servir cafezinho, seria denúncia em manchetes no mundo inteiro. Esse lugar existe e há séculos dita regras morais, ele se chama Vaticano” diz Daniel, em uma das inúmeras observações feitas ao longo do evento, que contestavam a sacralidade e o poder das instituições religiosas.

Ao contrário do que poderia se depreender sobre um evento que trate de um tema tão espinhoso, as discussões se desenrolaram calmamente. Para Daniel, isso deveria ser a regra, e não exceção. “Nós da ATEA lutamos pela laicidade do Estado, pela liberdade de expressão e contra o preconceito.” Daniel informou que, segundo dados levantados por um instituto de pesquisa, o grau de rejeição do brasileiro a uma pessoa que se declara ateia é superior ao sofrido por alguém que cometeu um delito, como um presidiário, por exemplo. “Nós sabemos de casos de bullying praticado por pais contra seus próprios filhos quando estes se declararam ateus”, completa.

A questão é endossada pela participante Lídia Neves, que embora criada no seio católico, hoje não segue nenhuma orientação religiosa. “Não batizei meus filhos, deixei que eles decidissem quando crescessem o que queriam fazer. Porém, é muito comum escutar por aí que nós que não temos religião, não temos Deus no coração, como se fôssemos pessoas ruins”, analisa. A banespiana não chega a se declarar ateia – aquele que não crê de forma alguma em divindades- e sobre a existência de um Deus criador do universo, ela prefere a máxima shakespeariana “há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”.

Afubesp
Foto: Jamil Ismail

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Respostas de 2

  1. Boa noite Prezadas e Prezados.

    Gostei muito do site e do conteúdo. Sou ateu convicto, ou seja, não acredito em nenhum deus. Além disso sou Psicológo e estudei três anos de Filosofia. Tenho identificação com o pensamento filosófico de Nietzsche, Heidegger, Focoult, Freud e Lacan.

    Uma sugestão, humildemente: seminários de Filosofia com filósofos dentro do contexto ateu.

    Agradecido.

  2. O ateísmo é fascinante, o ateísmo é cativante, o ateísmo é inspirador, o ateísmo é intelectualmente estimulante. Eu tenho orgulho de ser ateu, mas não sou um ateu comum. Sou um entusiasta do ateísmo, se o ateísmo é o meu nome, o ceticismo é meu sobrenome. Dá mesma forma que existem os fundamentalistas cristãos ou fundamentalistas islâmicos, eu sou um fundamentalista ateu. Um dos principais indícios de um alto QI, de uma inteligência acima da média, é o ateísmo precoce. Eu sou ateu militante (não niilista) desde os 12 ou 13 anos de idade. Não me satisfaço em apenas ser ateu, eu quero “converter” as pessoas ao meu ateísmo. Metaforicamente falando, se eu puder salvar (hahaha) apenas uma pessoa, já terá valido a pena. Eu quero infectar as pessoas, contaminá-las com meu ateísmo. Meu ateísmo é seco, meu ateísmo é contundente, meu ateísmo é ácido. E eu nunca estive dentro do armário.

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