Bancários exigem inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) e neurodivergentes no ambiente de trabalho

Na mesa de negociação desta quinta-feira 18, o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) discutiram direitos para pessoas com deficiência (PCDs) e neurodivergentes, além de segurança nas agências bancárias e departamentos.

Os bancários são uma das únicas categorias com uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com validade para todo o Brasil, para bancos públicos e privados, e envolve 433 mil trabalhadores. A data-base da categoria é 1º de setembro.

Na categoria bancária são 17.417 pessoas com deficiência, o que corresponde a 4% do total de trabalhadores. Da totalidade de PCDs, 56% são deficientes físicos, 10% auditivos e 2% pessoas com deficiência intelectual, sendo 44% mulheres e 56% homens. 37% estão nos bancos públicos e 63% em bancos privados.

“A centralidade do trabalho na sociedade necessita ser inclusiva. O respeito à diversidade também inclui a temática PCD e suas várias especificidades. A discussão passa pela contratação e pela manutenção destes trabalhadores nos locais de trabalho. Garantias de trabalho digno são garantias de renda, autonomia e gera benefícios sociais e econômicos. O setor bancário reúne condições favoráveis para oferecer um ambiente e clima organizacional adequado às necessidades das pessoas com deficiência”, afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

“Cobramos dos bancos a implementação da lei de cotas (5%) nas empresas, reivindicamos uma participação maior dessa categoria em cargos de liderança e a inclusão de políticas para que PCDs e neurodivergentes para que permaneçam nos empregos e se qualifiquem. Também reivindicamos ações afirmativas para pais com filhos PCD´s. A diminuição da jornada sem diminuição de salário é uma demanda muito importante para esse grupo, priorizando o teletrabalho e a criação bipartide, com a contratação, inclusão e combate ao capacitismo”.

A neurodiversidade é um termo que se refere à diversidade de habilidades cognitivas e funcionamento mental entre as pessoas. Pessoas neurodivergentes são aquelas que têm diferenças no funcionamento do cérebro em comparação com a maioria da população. Essas diferenças podem incluir autismo, TDAH, dislexia, entre outras.

Segurança nas agências e departamentos

O enfraquecimento do sistema de segurança, especialmente nas chamadas “agências conceito” ou “lojas”, aumenta a insegurança dos funcionários e clientes. Os bancos argumentam que, no modelo das lojas, não há transação suficiente de dinheiro que justifique a instalação de portas giratórias e contratação de vigilantes. Uma inverdade, porque apesar de não possuírem caixas, essas agências mantêm áreas de autoatendimento com caixas eletrônicos, e muitas delas realizam a compensação dos depósitos.

Uma consulta realizada no Brasil com trabalhadores bancários nas agências de negócios, na última semana, mostra que, nos últimos dois anos, a maior parte dos entrevistados sofreram algum tipo de agressão. Xingamentos, gritos e ofensas foram apontados como as principais violências citadas pelos bancários.

“Entre os trabalhadores que sofreram agressão, os vigilantes foram as primeiras pessoas que pediram ajuda, e a maioria diz não ter registrado boletim de ocorrência com medo de perder o emprego. Os bancários também responderam que não se sentem seguros em trabalhar em uma unidade de negócios e que a implantação de portas giratórias e a contratação de vigilantes armados também são apontados para melhorar a segurança”.

A redução dos mecanismos de segurança nas agências também atinge o debate sobre a saúde e condições de trabalho, especificamente a saúde mental dos funcionários, pelo aumento da insegurança no ambiente de trabalho.

Os bancos destacaram que o modelo de segurança, com porta giratória e vigilantes, é ultrapassado. E que as reivindicações dos trabalhadores não devem avançar.

“O banco está preocupado com a segurança patrimonial, mas nós estamos atentos às vidas, que são insubstituíveis”, ressaltou Neiva Ribeiro.

A Lei Nacional de Segurança Bancária obriga, para o funcionamento de um estabelecimento financeiro, a existência de um sistema com vigilantes bem preparados, protegidos e armados, e câmeras de monitoramento, além de mais um item a critério das instituições, como a porta giratória, definida em acordo com a categoria. Ao longo de negociações entre entidades sindicais e os bancos, também foram incluídos alarmes interligados com outra unidade da instituição, empresa de segurança ou órgão policial; cofre com temporizador; e biombos para separar a área dos caixas e filas. O plano de segurança deve ser fiscalizado pela Polícia Federal.

SP Bancários

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