Artigo: Diversificação de investimentos pode melhorar a Cabesp

Com redução de juros da Selic, a gestão conservadora da caixa beneficente precisar rever sua postura

A decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de reduzir a taxa Selic, a taxa dos juros de investimentos no Tesouro deve ser aplaudida. Trata-se de um anseio geral no país, exceto para bancos e fundos de investimentos que, sem fazer nada, enriquecem no financiamento do Tesouro a partir dos altos juros. Nessa lista está a Cabesp, que tem 83,7% de seus investimentos aplicados em títulos públicos, algo próximo a R$ 3,8 milhões.

Afastados os riscos de inadimplência do Tesouro, como vem ocorrendo na Grécia, Portugal e Espanha, e como já aconteceu com a Argentina, sem dúvida, trata-se de um bom investimento, um dos melhores, já que o Tesouro é um bom pagador.

A gestão financeira da Cabesp tem sido extremamente conservadora. Se o conservadorismo em casos de fundos de aposentadoria e de saúde é sinônimo de baixo risco e alguma tranquilidade, o que se vê hoje por ali é uma gestão de “gato de armazém”, aquele que dorme no alto da sacaria e não caça mais.

A redução dos juros impõe mudanças nessa gestão, já que está interrompida a sequência de anos de ganhos sem fazer força. E mudanças exigem planejamento, domínio de tecnologia da informação, bons gerentes (o que a Cabesp tem) e prospecção tranquila de oportunidades no mercado.

O Brasil cresce e basta um olhar no noticiário econômico para verificarmos o surgimento e a renovação de um enorme plantel de possibilidades de investimentos, entre eles a própria medicina privada. Hospitais, clínicas e consultórios se modernizam e são muito rentáveis.

Desde os anos 90, vários dirigentes do Banespa e da Cabesp pregavam a necessidade da caixa beneficente investir na área de saúde, aliando algumas vertentes à segurança, à rentabilidade e à possibilidade de melhorar o acesso dos seus associados e beneficiários às modernas técnicas de medicina.

A Cabesp poderia ter uma participação minoritária em empreendimentos de saúde, ter parcerias com outros planos de saúde ou criar plataformas que a permitisse prestar serviços para novos clientes: o Santander, por exemplo, que contrata seu principal concorrente – o Bradesco – para atender seus funcionários neste setor.

Mas, se continuar como gato de armazém, o cobertor poderá ser curto. Agora, a responsabilidade dos seus gestores está colocada: há mais de R$ 5 bilhões em poupança e pequenos investimentos em nada poderão afetar esse patrimônio. Ao contrário, eles poderiam alavancar ainda mais a Cabesp em rentabilidade, aliada com uma política de saúde integral para esse prolongamento da vida que felizmente nos acompanha.

Afubesp

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