Espanha estatiza 3º maior banco do país, aumentando desconfiança dos mercados

Governo promete novas medidas para amanhã; outras instituições financeiras podem precisar de resgate

O governo espanhol anunciou a estatização parcial do terceiro maior banco do país, o Bankia, e prometeu divulgar amanhã novas medidas para o setor financeiro.

O Estado agora será o maior acionista do banco, com 45% do capital, e na prática o controlará.

O anúncio fez a desconfiança dos mercados contra o país aumentar.
A Bolsa local fechou o dia em baixa e os juros dos títulos da dívida pública do país com vencimento em dez anos ultrapassaram a perigosa casa dos 6%, considerada por analistas como o limite para que a Espanha não tenha que recorrer a um empréstimo da União Europeia.

De acordo com o jornal “El Pais”, a estatização envolve a conversão de um empréstimo de € 4,5 bilhões em ações. O Bankia tem mais de 10 milhões de clientes no país e € 306 bilhões em ativos.

As reformas no setor bancário devem fazer com que as instituições financeiras sejam obrigadas a contar com reservas maiores, de € 35 bilhões, nas linhas de crédito imobiliário -uma das áreas mais críticas dos bancos do país.

Com as mudanças, espera-se que o sistema bancário fique mais seguro.

Além disso, o governo espera que os bancos passem a emprestar mais recursos para outros setores e que os preços de imóveis caiam para níveis mais acessíveis, o que movimentaria o setor.
Como as instituições não dispõem desse dinheiro, é muito provável que o governo seja obrigado a usar verba pública para auxiliá-las.

RATING

A perspectiva de injeção de recursos nos bancos do país foi um dos motivos para que a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s rebaixasse a nota da Espanha.

Com essas medidas, a agência vê riscos consideráveis de que a dívida pública espanhola, já elevada, fique ainda maior. O país se comprometeu com a União Europeia a reduzir seu deficit orçamentário e sua dívida pública. Além disso, em abril, o governo havia garantido que não usaria dinheiro público para sanear bancos.

A Espanha recentemente confirmou que está em recessão econômica (dois trimestres seguidos de contração do PIB) e tem o maior índice de desemprego da zona do euro, acima dos 24% da população economicamente ativa.

Em fevereiro, o governo havia anunciado um plano para que as instituições financeiras aumentassem suas provisões em € 54 bilhões. Com o Bankia, são sete os bancos que sofreram resgate estatal na Espanha e quatro os que estão sob controle do Estado.

Estima-se que as instituições financeiras tenham € 180 bilhões de créditos duvidosos no setor. 

Folha de S.Paulo

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