Primeira rodada de debates entre representantes dos bancários e da Fenaban continua nesta quarta-feira
Mais contratações de bancários e fim das demissões injustificadas nos moldes previstos na Convenção 158 da OIT foram as medidas defendidas pelo Comando Nacional dos Bancários, na mesa de negociação com a federação dos bancos (Fenaban), para ampliar empregos e combater a rotatividade nos bancos, um dos setores mais lucrativos do país. Os debates em torno das reivindicações relativas ao emprego bancário abriram, nesta terça-feira 30, a primeira rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada 2011.
Numa postura no mínimo de quem não conhece a realidade dos trabalhadores, os banqueiros afirmaram que a garantia de emprego e o fim da rotatividade não são temas prioritários para a categoria. “Cobramos o fim das demissões e a garantia de emprego”, relata Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo ao destacar que os bancos ao contrário do que praticam em outros países, inclusive na América Latina, promovem demissões em grande quantidade. E que há bancos, como os públicos, que têm estabilidade de emprego. Ela citou ainda que as consultas e pesquisas confirmaram a vontade do bancário de colocar o emprego como uma das principais reivindicações da categoria na campanha nacional.
“Muitos bancários estão adoecendo em agências e departamentos por conta do ritmo intenso de trabalho. Ampliar o emprego bancário, além de garantir um melhor atendimento aos clientes, significa melhoraria nas condições de trabalho e de saúde da categoria, bem como respeito aos trabalhadores com o fim da rotatividade, usada para trocar funcionários com o objetivo de reduzir custos com salários.”, disse Juvandia.
Correspondentes
O Comando Nacional dos Bancários defendeu a inclusão bancária por meio da ampliação da prestação de serviços de qualidade feita por bancários em agências e postos (PABs), garantindo proteção ao sigilo bancário, aplicação do plano de segurança para funcionamento das unidades em todas as regiões do país. Os banqueiros defenderam a existência dos correspondentes e afirmaram que esse tipo de atendimento vai continuar funcionando inclusive ao lado de agências bancárias. Na negociação, o comando dos bancários denunciou que há serviço de correspondente efetuado dentro das agências e de que clientes estão sendo orientados a deixar a agência e procurar por atendimento em correspondentes. A Fenaban alegou desconhecer tais práticas. “Os correspondentes estão sendo usados para reduzir custos por meio da precarização do atendimento aos clientes e do trabalho bancário”, ressaltou Juvandia.
Venda responsável
A Fenaban negou-se a assinar o termo de venda responsável de produtos, apresentado pelos trabalhadores junto com a pauta de reivindicações, por alegar que já são responsáveis em suas vendas. “As crescentes reclamações dos clientes nos órgãos de defesa do consumidor e no Banco Central não só contrariam a resposta da Fenaban, como demonstram que as metas impostas aos bancários são abusivas. Esses dados bem como o adoecimento dos bancários, vítimas da pressão e do assédio moral para o cumprimento de metas, só apontam a necessidade de os bancos aderirem a esse documento”, disse Juvandia.
Negociação continua
Dando continuidade ao calendário de negociações, a rodada sobre emprego e cláusula sociais continua na manhã desta quarta-feira. As reivindicações referentes ao fim das terceirizações abrirão os debates, seguidas pelas de cumprimento da jornada. Também será levada à mesa de negociação demandas sobre igualdade de oportunidades.
Seeb SP
Foto: Mauricio Morais