Santander lucra R$ 4,1 bilhões no semestre

Um quarto de todo lucro mundial tem origem no Brasil, mas funcionários não são valorizados pela direção

O Santander anunciou lucro líquido de R$ 2,082 bilhões no segundo trimestre de 2011, crescimento de 17,8% sobre o mesmo período de 2010. Nos três meses iniciais de 2011 o banco já havia embolsado R$ 2,071 bilhões. Com isso, no primeiro semestre desse ano os espanhóis lucraram R$ 4,153 bilhões com sua filial brasileira e fecharam junho com patrimônio líquido de R$ 75,3 bilhões no país, alta de 2,6% ante os R$ 73,4 bilhões do fim de dezembro do ano passado.

É o melhor resultado de todos os países onde a instituição atua, e corresponde a 25% do lucro global do grupo.

Mesmo com tanto dinheiro, os bancários do Santander não são valorizados à altura. “É inaceitável que o banco demita e precarize o trabalho. Enquanto na Argentina houve a internalização dos funcionários do setor do call center, no Brasil ainda é grande o número de terceirizados”, compara a diretora financeira do Sindicato e funcionária do Santander, Rita Berlofa.

São 33 mil terceirizados no Santander Brasil, informa a dirigente, lembrando que o objetivo da terceirização é a redução de custos por meio da precarização do trabalho. “O banco terceiriza para reduzir custos através da precarização da mão de obra. Trata-se de interposição fraudulenta com o intuito de diminuir custos.”

Rita ressalta ainda que enquanto no país vizinho o piso praticado é de 1.400 dólares, o Brasil tem o segundo pior salário do Santander no mundo, perdendo apenas para a Colômbia.

A dirigente também destaca que o Brasil é o único país da América Latina onde o banco espanhol demite, apesar de responder pela maior fatia do lucro da instituição. “Não há demissão na América Latina, somente no Brasil, em que pese o país ser responsável por um quarto do lucro mundial do banco.”

Ela denuncia que em 2010 foram demitidos mais de 2 mil trabalhadores somente na base de São Paulo. “Esse ano, até agora, já são 611 pedidos de demissão e 668 demitidos sem justa causa. O alto número de pedidos de demissão deve-se às condições de trabalho no banco, onde faltam funcionários, há sobrecarga de trabalho, pressão por cumprimento de metas abusivas e assédio moral.”

A diretora do Sindicato lembra que o acordo aditivo à Convenção Coletiva Nacional da categoria vence em 31 de agosto desse ano. “Apresentaremos uma minuta específica. E a única forma de vermos nossas reivindicações atendidas é por meio da mobilização e luta. É fundamental, portanto, que os bancários participem de todas as atividades convocadas pelo Sindicato”, diz a dirigente.

América Latina – Coube ainda aos países da América Latina o protagonismo mundial. A região teve aumento em sua lucratividade de 15,8% no primeiro semestre. Foram 2,457 bilhões de euros (R$ 5,496 bilhões), o que representa 44% do lucro total do grupo.

Seeb SP, com informações da Reuters e Estadão – 27/07/2011

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