Qualidade de Vida: Mãos na terra e conhecimento sobre agricultura natural

Os associados da Afubesp tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a agricultura natural na tarde da quarta-feira (30) na Fundação Mokiti Okada (Vila Mariana, zona sul de São Paulo). A atividade do programa Qualidade de Vida de abril reuniu 26 colegas que prestigiaram uma esclarecedora palestra sobre o cultivo natural de plantas ministrada pelo tecnólogo Carlos Daniel de Souza Rodrigues – professor na Faculdade Messiânica desde 1993 -, apresentando o Programa Horta em Casa e Vida Saudável.

Logo no início da atividade, os associados assistiram o videoclipe da música “Earth Song” (em português, “canção da Terra”), do cantor norteamericano Michael Jackson, que aborda a destruição desenfreada da natureza pelo homem e os riscos da prática aos seres vivos em geral. “Todo mundo diz que o homem está acabando com a natureza, mas ele está destruindo a si mesmo. Porque o homem pode acabar, mas a natureza se renova”, pontuou o professor Daniel.

A agricultura natural se difere da orgânica em razão das técnicas utilizadas. Ao contrário do modo de cultivo habitual, com agrotóxicos ou outros produtos, a agricultura natural aproxima o homem da natureza por estabelecer uma conexão direta com ela. Ou seja: alguém que planta seu alimento (pé de alface, por exemplo), estará cuidando da planta com água e afeto para que ela cresça. De acordo com Daniel, a técnica ensina a importância da gratidão à alimentação, ao agricultor e aos ancestrais, além de nos fazer compreender a sustentabilidade social e econômica e promover a união familiar.

A natureza, segundo o método, responde quando depositamos amor no cultivo. “Quem trabalha com agricultura natural acredita que a natureza tem vida, e que ela interage conosco”, disse Daniel. A consciência de uma escolha saudável de alimentação também pode ser despertada: uma vez que se adota o método, olhamos com outros olhos para os produtos que vemos no mercado.

Instruções de cultivo – De acordo com os ensinamentos de Mokiti Okada, criador da agricultura natural, o primeiro passo é manifestar a força do solo. Para isso, é preciso tornar o solo puro e limpo preparando a terra. Para um solo fértil, o método utilizado é uma mistura de terra, húmus e de material orgânico – que pode ser, além de cascas de vegetais, a sobra do arroz e feijão já cozido e sem líquido. É importante que o material não esteja muito úmido e que esteja tampado. Intercalando estes elementos e deixando fermentar por 20 dias (retirando chorume neste período), a terra estará pronta para o plantio.

No momento de plantar a semente, a dica do professor é colocá-la num sulco de 0,5 cm de profundidade na terra. “Quanto mais fundo está a semente, mais dificuldade ela terá de nascer”, justificou.

Empolgados com as instruções, os associados foram convidados a manusear a terra e a sentir – de olhos fechados – a textura do solo, como se fosse a extensão do corpo em contato direto com a natureza. Após a rápida reflexão, foi a hora de plantar nos vasos pequenas mudas de pé de alface lisa, que os participantes puderam levar para casa.

Mais conhecimento – Para a associada Rosa Lúcia Neves de Araújo Gomes, aposentada do Plano II, foi válido o conhecimento. “É uma experiência e tanto, que não temos oportunidade de viver sempre. Ficamos dentro da caixinha e, às vezes, nem sabemos como coisas tão simples como a agricultura natural funcionam. Agora vou cuidar da minha plantinha com muito carinho”, disse.

A colega também avaliou o Qualidade de Vida. “Estou aqui pela primeira vez, e achei excelente o companheirismo e recepção dos organizadores”, afirmou Lúcia. Também associada, Elisa Mitsuhe S. Ikematsu declarou que estará de volta na próxima atividade. “Gostei de tudo, e prendeu minha atenção principalmente porque gosto da natureza. Voltarei, com certeza”.


Letícia Cruz, Afubesp – Fotos: Camila de Oliveira

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