Passeio de Maria Fumaça e história da imigração paulista no Qualidade de Vida

Uma tarde de muita história e nostalgia. Assim foi o passeio de junho do programa Qualidade de Vida, na quarta-feira (25 de junho), onde os participantes conheceram o Museu da Imigração, no bairro do Brás – na capital paulista. A atividade proporcionou conhecimento sobre a vinda de imigrantes estrangeiros de diversas partes do mundo – de Alemanha e Itália a Japão – e um pouco da atmosfera dos idos de 1887, quando a antiga hospedaria de imigrantes foi inaugurada.
Conhecer o processo de imigração também é entender como São Paulo foi formada, com toda sua diversidade e cultura. O prédio que hoje abriga o reformado e moderno museu funcionou durante décadas como hospedaria para os imigrantes que chegavam do porto de Santos, seguiam pela São Paulo Railway Company e desembarcavam em estação ao lado das instalações no Brás – onde realizavam todos os trâmites de triagem, passaportes e eram encaminhados para o trabalho nas fazendas do interior do Estado. Hoje, parte do prédio funciona como um albergue do Arsenal da Esperança.
Durante a atividade, os associados da Afubesp visitaram as exposições permanentes do Museu, tal como a sala onde estão os objetos utilizados no início dos anos 1900 (desde utensílios de cozinha, mesas, cadeiras de dentista e armários a vitrolas e máquinas de escrever), projeções de imagens e cartas dos imigrantes hóspedes em gavetas dispostas em enormes arquivos centrais. Camas do modelo da época também estão expostas no interessante espaço. Surpresa, a participante Lídia Neves se deparou com um escovão de chão antigo entre os objetos. “Eu já usei um desses!”, exclamou.
Para Aparecida Antônio Santos, associada e aposentada desde 1994, a primeira experiência no Qualidade de Vida foi positiva. “Gostei bastante e recordei muita coisa com esse passeio. Com certeza voltarei”, disse. Mas o ponto alto do passeio ainda estaria por vir: a volta no tempo no trem Maria Fumaça no trecho da ferrovia mais antiga de São Paulo e a segunda do país.
Todos a bordo de um vagão espaçoso e confortável do ano de 1952, os participantes seguiram a viagem no túnel do tempo e conheceram a história da ferrovia por meio de um instrutor. Alguns vagões antigos e deteriorados estão parados rentes aos trilhos, em restauração. No entanto, o trabalho feito pela ONG Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) não recebe verba do governo estadual. Todo o dinheiro usado para a restauração dos trens e da memória da história ferroviária no país é levantada por meio da tarifa simbólica dos passageiros do Trem Maria Fumaça. A trajetória de viagens ferroviárias de longa distância deixou saudade após privatização da ferrovia. E, no fim das contas, os associados se perguntaram o porquê da falta de investimento. Definitivamente, a história de São Paulo passou por aqueles trilhos.
Letícia Cruz, Afubesp
Fotos: Camila de Oliveira







