Nesta quinta tem ato contra a independência do Banco Central

CUT, sindicatos e movimentos sociais protestam na Avenida Paulista, na quinta 2, em frente à sede da autoridade monetária contra proposta defendida por candidatos à Presidência

São Paulo – Os papéis do Banco Central e dos bancos públicos têm ocupado lugar de destaque no debate eleitoral, com candidatos à Presidência da República defendendo a independência da autoridade monetária no país e a diminuição da importância das instituições financeiras estatais, como BB, Caixa e BNDES. Contra essas propostas, o Sindicato, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), entidades a ela filiadas e movimentos sociais realizam ato em frente à sede do BC, em São Paulo, na Avenida Paulista 1.804, na quinta-feira 2, com concentração às 15h. No mesmo dia, também haverá manifestação nos prédios do BC em pelo menos mais nove capitais: Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém.

Para o presidente da CUT, o bancário Vagner Freitas, tornar o BC independente seria o mesmo que “delegar à raposa o controle sobre o galinheiro”. Ou seja, entregar o BC aos banqueiros privados, justamente os que devem ser controlados pela instituição. “É acreditar no ‘deus’ mercado como o grande organizador da sociedade. Mas estamos falando do mesmo mercado desagregador, incapaz de uma autorregulação mínima, como mostraram as crises econômicas de 1929 e 2008. Eles tiveram liberdade e a usaram para provocar o caos econômico que se alastrou, derrubou mercados e a economia de dezenas de países. Milhares de empresas quebraram e milhões de pessoas ficaram desempregadas na Europa e nos Estados Unidos”, lembra.

Nobel – Prêmio Nobel de Economia em 2001, Joseph Stiglitz também alertou para os perigos da medida: “Na melhor das hipóteses, essa posição é questionável. Na crise, os países com bancos centrais menos independentes como China, Índia e Brasil fizeram muito, mas muito melhor mesmo do que os países com bancos centrais mais independentes, caso da Europa e dos Estados Unidos”, disse em palestra recente na sede do BC da Ìndia.

> Gênios da economia rejeitam BC independente

Bancos públicos – A diminuição do papel dos bancos públicos, defendida por alguns candidatos, é outra preocupação dos movimentos sindical e social. Instituições como Banco do Brasil, Caixa e BNDES tiveram papel importante na evolução da economia brasileira nos últimos anos, principalmente após a crise de 2008: quando os privados retraíram o crédito, foram as instituições estatais que passaram a sustentar sua oferta.

Estudo do Dieese mostra que a participação relativa dos públicos no saldo total das operações de crédito da economia saltou de 36%, em janeiro de 2008, para 51% em dezembro de 2013, enquanto que os privados nacionais reduziram a oferta de 43% para 33% e os estrangeiros de 21% para 16%, no mesmo período.

“Essa atuação foi fundamental para o crescimento na última década. Não se avançaria como nos últimos dez anos sem o crédito disponibilizado pelos bancos públicos”, defende o economista da Unicamp, André Biancarelli. “Haveria crédito de longo prazo no país sem a atuação do BNDES, por exemplo? São questões a se pensar seriamente, até porque apontam para mudanças radicais que, uma vez postas em prática, não serão revertidas com facilidade”, alerta.

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