Desde 2013, o Sistema Único de Saúde oferece cadeiras de rodas motorizada e monobloco à pessoas com deficiência. Mas essa conquista tão importante pode estar com os dias contados, graças ao limite de teto de gastos proposto pelo Governo Federal, a partir da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, que limita os gastos com saúde e educação por 20 anos.
“Esse é um grande retrocesso para quem mais necessita, caso das pessoas com deficiência. Uma cadeira de rodas motorizada custa no mercado cerca de R$ 10 mil. São poucos os que podem arcar com essa despesa”, comenta o diretor da Afubesp, Isaías Dias, que foi beneficiado pelo SUS com um equipamento desse. “Aqueles que precisavam e tinham receita médica confirmando a necessidade vinham sendo atendidos. Demora para chegar, mas vem. Quando recebi a minha outras seis pessoas também foram beneficiadas. Isso faz muita diferença na vida da gente. Essa PEC atinge quem mais necessita e aumenta a desigualdade.”, argumenta o dirigente.
Paralimpíadas
Além desse fator, Isaías ainda critica outra ação do Governo Temer – ainda como interino e confirmada na última sexta, dia 2 de setembro – o de desmontar o caráter público da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – que possuía importante papel de divulgação de assuntos de interesse dos segmentos. Por meio de Medida Provisória (744/2016), os princípios e objetivos da EBC foram alterados, permitindo a troca de comando na estatal, fim do mandato de presidente e a extinção do Conselho Curador (que conferia o caráter público), composto por 22 membros.
“Os veículos da EBC, caso da TV Brasil, por exemplo, são os oficiais para transmissão dos jogos paralímpicos, porque os canais abertos de TV não tem interesse em divulgar”, informa Dias. Os jogos serão realizados de 7 a 18 de setembro, com participação de 4.350 atletas de 178 países, em 23 modalidades.
Importante destacar que as paralimpíadas costumam render melhores resultados para o Brasil do que as Olimpíadas. Em 2012, os atletas com deficiência arremataram 21 ouros e 43 medalhas no total. “Mesmo assim o que vemos é desinteresse dos veículos privados em fazer a cobertura, bem como as empresas privadas que não veem vantagem em patrocinar atletas paralímpicos”, comenta o dirigente. Atualmente, 90% deles recebem bolsa-atleta do Governo Federal, outra política que corre sério risco de ser extinta.
Afubesp
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