Fenaban já está com a pauta dos bancários, primeiras negociações nos dias 18 e 19

São Paulo – Com lucros nas alturas, os bancos têm plenas condições de atender às reivindicações da categoria bancária. Esse foi o recado do Comando Nacional dos Bancários à federação dos bancos (Fenaban), durante a entrega da pauta da categoria, no final da manhã da terça-feira 9, na sede da Fenaban, em São Paulo. As primeiras rodadas de negociação já foram marcadas para os dias 18 e 19 e tratarão das reivindicações em geral.

A pauta, aprovada pela 18ª Conferência Nacional dos Bancários, visa a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que reúne os direitos de todos os bancários do país. A data-base é 1º de setembro.

Na mesa com os representantes dos banqueiros, a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, apresentou dados que comprovam que o setor continua sendo um dos mais lucrativos da economia, mesmo em um momento de recessão. “A consultoria Economatica avaliou 25 setores que envolvem 300 empresas de capital aberto, e desses, o setor bancário foi o mais lucrativo no primeiro trimestre do ano: 21 bancos alcançaram R$ 14,3 bilhões de lucro.”

Em outro estudo citado por Juvandia, a Economatica aponta que os brasileiros Bradesco, Itaú, Santander e BB ocuparam as quatro primeiras posições em crescimento do valor de mercado dentre os bancos de capital aberto da América Latina e dos EUA, no primeiro semestre de 2016.

Emprego é prioridade – Diante dos números que apontam a saúde financeira dos bancos brasileiros, a dirigente destacou outro dado: no primeiro semestre de 2016, o setor bancário extinguiu 6.785 postos de trabalho no país, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. “Emprego com certeza é uma grande preocupação dessa campanha e uma grande prioridade para bancários e bancárias”, ressaltou Juvandia, que é uma das integrantes do Comando Nacional dos Bancários.

Conjuntura – A presidenta do Sindicato também destacou que a Campanha Nacional Unificada 2016 está se dando em um momento difícil para o país, de ameaça a direitos sociais e trabalhistas. “A gente tem outra grande preocupação nessa conjuntura que é a tentativa de flexibilização das leis trabalhistas, da investida contra os direitos da grande maioria da população e dos trabalhadores em especial, seja na Previdência, seja na terceirização. Isso também está na agenda da nossa campanha e não poderia ficar de fora porque não adiantaria fazer uma campanha salarial boa, se perdermos todos os avanços com a terceirização [PLC 30/2015 que tramita no Congresso] e a flexibilização da CLT [proposta pelo governo Temer].”

“Vamos defender nossos direitos, a democracia e lutar contra a terceirização e qualquer tipo de retirada de direitos. Não aceitaremos nenhum direito a menos”, reforçou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Roberto von der Osten, o Betão, também um dos coordenadores do comando.

Juvandia lembrou ainda que o governo interino tenta jogar todo o déficit fiscal sobre os mais pobres, eximindo os mais ricos. “Existe um déficit fiscal, mas essa conta não pode ser repassada única e exclusivamente para os trabalhadores e para o segmento mais carente da população, que mais necessita do amparo das políticas públicas e de emprego.” E destacou ainda que apenas com sonegação de impostos, o Brasil perde cerca de R$ 500 bilhões por ano, segundo levantamento de procuradores da Fazenda. “Portanto, esse déficit poderia ser coberto tirando de quem tem mais e não de quem tem menos.”

Campanha – É nesse contexto difícil, destacou Juvandia, que a campanha dos bancários se inicia. “Esperamos que essa conjuntura não nos impeça de fazer uma campanha tranquila e boa, que traga avanços para os trabalhadores.”

Ela também lembrou aos representantes da Fenaban que a pauta foi amplamente debatida e representa os anseios dos milhares de bancários e bancárias de todo o país.

Após a entrega, os bancários lançaram oficialmente a campanha nas ruas, com passeata pelo centro de São Paulo.

Seeb SP

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