Em mesa de negociação, bancários rejeitam proposta de perda real de 2,9%

Após doze rodadas de negociação, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) propôs reajuste de apenas 65% da inflação, com perda real de 2,9%, considerando a última estimativa do Banco Central 8,95% para a data-base 1º de setembro, em reunião nesta sexta-feira (19), com o Comando Nacional dos Bancários. Índice foi rejeitado na mesa e negociação continua na segunda-feira (22).

“O setor mais lucrativo do país propõe perda real de 2,9% para seus trabalhadores, um desrespeito com os principais responsáveis pelos seus lucros. A categoria está mobilizada e organizada e não vai aceitar esse índice”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, que também é coordenadora do Comando Nacional dos Bancários. “Entre as propostas absurdas também querem diminuir e congelar a PLR dos trabalhadores”.

Medo em um contexto de maior inflação, 56,1% das negociações realizadas entre janeiro e julho de 2022, segundo levantamento do Dieese, conseguiram repor o INPC.

Os lucros dos cinco maiores bancos (Itaú, Santander, Bradesco, Caixa e BB), no primeiro semestre, somaram R$ 56 bilhões, com alta média de 3,7% em doze meses.

Os bancos também propõem o mesmo indicador para reajuste da PLR, para aumentar o lucro dos acionistas. A remuneração per capita anual da Diretoria Executiva dos maiores bancos tem previsão de atingir R$ 8,9 milhões por diretor (a) em 2022, com crescimento de 11,1% em relação a 2021 e 132 vezes maior do que a remuneração anual da função de escriturário (salário, 13º, férias, tickets, PLR). Em contrapartida, em 2021, por exemplo, os três maiores bancos privados distribuíram em média 6,6% de seus lucros para os trabalhadores, sendo que a distribuição da regra básica está próxima de 5% e da parcela adicional próxima de 1,6%, portanto muito abaixo dos 2,2% previstos na CCT.

Índices – Desde 1997, a PLR do cargo de caixa bancário teve aumento real de 126%. No mesmo período, o crescimento real do lucro dos bancos foi de 359%, 2,85 vezes mais do que o valor da PLR.

De acordo com dados da Economática, os bancos foram o setor econômico com maior lucro líquido entre as empresas de capital aberto (com exceção de Vale e Petrobrás) em 2021, com quase o dobro do lucro do segundo setor econômico mais lucrativo que foi o de energia elétrica.

Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região

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