
Celebrado em 20 de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra lembra a resistência e a propõe reflexão sobre os direitos dos negros, exaltando a cultura afro-brasileira e o fim do racismo. A data homenageia Zumbi, morto em 1695 e considerado o mais importante líder do quilombo de Palmares (AL) – maior e mais importante comunidade de escravos, com população estimada demais de 30 mil pessoas.
A data foi comemorada pela primeira vez no Brasil em 1971. Segundo a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a ideia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do Movimento Negro Unificado. Desde então, a mobilização dos movimentos gerou conquistas como as cotas raciais nas universidades, a fim de amenizar a desigualdade social e econômica agravada por anos e anos de danos impostos à população negra no país.
Longo caminho – Entretanto, há pouco a se comemorar e muito a avançar. De um lado, no mercado de trabalho: de acordo com o Dieese, as taxas de desemprego dos negros são maiores que para não negros. De outro, a violência: a cada duas horas, cinco jovens negros são assassinados no país, de acordo com o Mapa da Violência, pesquisa baseada em dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde e divulgada neste mês.
São 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades entre 15 e 29 anos. Entre os assassinados, 77% são negros, e 93,30% deles são do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos.
Para Julio Jacobo Weiselfisz, sociólogo responsável pelo levantamento, a tendência da última década aponta para o crescimento da letalidade seletiva pela cor da pele. Ele ressalta que em 2002 morriam proporcionalmente 80% mais jovens negros que brancos.
“Essa vitimização mais que duplica ao longo da década. Em 2012 morrem 169% mais jovens negros que brancos: quando a taxa de jovens brancos vítimas de homicídio foi de 30,1 por 100 mil jovens brancos, e a de negros foi de 80,7 por 100 mil jovens negros. Se essa é a média nacional, há estados e municípios onde os números nos levam a pensar em situações de verdadeiro genocídio de jovens negros”, afirma.
Representação no parlamento – Entre os pontos que ainda precisam avançar, está o aumento da representação dos negros na política. A ministra da Seppir, Luiza Bairros, afirmou que o debate sobre a reforma política também tem que incluir o tema da baixa representação de negros e mulheres no Parlamento. Ela lembrou que, pela primeira vez, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) perguntou aos candidatos a cargos eleitorais sobre a cor da pele. Segundo a ministra, mesmo com a boa participação de negros e mulheres a cargos eletivos, a presença deles no Congresso ainda é pequena.
“O problema continua sendo a taxa de sucesso dessas candidaturas. As proporções de negros e de mulheres e a presença no Parlamento praticamente se invertem. Os homens brancos, que eram cerca de 42% dos candidatos, constituem quase 80% dos parlamentares eleitos”, disse.
Segundo o TSE, dos 513 deputados eleitos em 5 de outubro, 79,9% se declararam brancos; 15,7%, pardos e 4,29%, pretos. Nenhum se declarou indígena ou amarelo.
Afubesp, com informações da Agência Brasil e Seeb-SP – Foto: Abr