Bancários protestam contra retirada de direitos no Santander

Bancários do Santander deflagraram, no dia 30 de novembro, Dia Nacional de Luta em protesto contra o avanço da terceirização no banco espanhol. A data foi marcada por manifestações e paralisações em todo o país contra a retirada de direitos dos trabalhadores, e para cobrar negociação da direção da instituição financeira, que desde agosto protela e não aceita debater o tema com a representação dos trabalhadores.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região foi surpreendido no início do mês com um interdito proibitório expedido pela 14ª vara de São Paulo, proibindo a manifestação que ocorria no Geração Digital.

O interdito proibitório é um instrumento jurídico previsto no artigo 567 do atual Código do Processo Civil brasileiro, de 2015. Mas está presente na legislação civil do país desde 1973, quando o país vivia sob a ditadura militar. Na época, foi criado com o objetivo de evitar a ocupação de áreas rurais. Consiste em ação jurídica relacionada a situações nas quais o direito de posse ou de propriedade está sendo ameaçado.

Porém, tal instrumento é utilizado em larga escala no âmbito da Justiça do Trabalho por empresas que buscam evitar os mais diferentes tipos de ações sindicais, o que configura prática antissindical. No interdito ainda consta multa de R$ 10 mil diários caso a decisão seja descumprida.

No mesmo dia, o banco divulgou em grupos de WhatsApp mensagem solicitando que os gestores peçam para suas equipes levarem para casa notebooks para o caso de ocorrerem novas manifestações do sindicato.

Segundo Lucimara Malaquias, dirigente da Afubesp e coordenadora da da Comissão de Organização dos Empregados do Santander, o banco passa para os trabalhadores a seguinte mensagem: ‘enquanto eu te terceirizo e retiro seus direitos, permaneça trabalhando de onde estiver e como puder’, interferindo assim no livre direito de organização dos trabalhadores.”

Para Lucimara, ambas as ações tomadas pelo Santander escancaram a postura antissindical, antidemocrática e antitrabalhador do banco.

“Está nas mãos do Santander resolver este conflito, por meio do diálogo, e negociar as condições que melhor atendam a todos os envolvidos. O movimento sindical está disposto a negociar e a superar esses problemas, mas o banco protela, e mais uma vez apela para a Justiça a fim de interferir em um conflito entre capital e trabalho”, lamenta a dirigente.

Para a coordenadora da COE Santander, o episódio representado pelo interdito proibitório mostra que, enquanto retira direitos dos trabalhadores, o Santander quer também atacar o movimento sindical bancário.

“Movimento sindical que, com sua histórica organização, tem conquistado uma série de direitos para os trabalhadores. Direitos que são referência para o país e para o mundo. Ou seja: de uma tacada só o Santander quer solapar a via negocial, retirar direitos, reduzir a massa salarial e apartar seus trabalhadores de uma categoria com capacidade de organização, mobilização e negociação”, afirma.

O Sindicato convoca os bancários e terceirizados a intensificarem as mobilizações contra os ataques do Santander aos direitos dos seus trabalhadores. “Só a luta coletiva pode reverter esta situação. Santander, existem caminhos mais civilizados para resolver os conflitos: chama-se negociação!”, completa.

Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região

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