Auditório cheio na palestra do Qualidade de Vida sobre o Alzheimer

Uma doença tão misteriosa que ataca lentamente como o Alzheimer precisa ser cada vez mais debatida. Foi com este intuito que o programa Qualidade de Vida realizou palestra sobre o tema na tarde da quarta-feira (8) no auditório da Afubesp, convidando para tirar dúvidas duas especialistas da Associação Brasileira de Alzheimer, Beatriz Athié (especializada em Terapia Familiar e em psicooncologia e Gerontologia) e Maria Beatriz Sertório, a Bia (especialista em gerontologia pela USP e assistente social voluntária).

Os participantes puderam esclarecer mitos e verdades sobre a doença que age na degeneração do cérebro no evento. Alguns dos colegas, inclusive, têm ou tiveram parentes idosos nesta condição e se interessaram para difundir o conhecimento entre os familiares uma vez que ainda há bastante desinformação sobre o tema.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se haver cerca de 35,5 milhões de pessoas com demência no mundo, número que praticamente irá dobrar a cada 20 anos. Entretanto, um fato favorável é que o Alzheimer vem sendo estudado cada vez mais. “Antes todo mundo que apresentava esses sintomas era caduco, não se dominava o assunto”, pontou Bia, esclarecendo também que cada paciente é diferente e tem suas peculiaridades.

Estágios do Alzheimer

Beatriz Athié explicou aos participantes como acontece o desenvolvimento da doença no cérebro e os estágios que cada paciente sofre. Do primeiro ao terceiro estágio, o indivíduo passa a fazer confusão com a organização da vida diária como lidar com dinheiro, apagar da memória o que iria fazer em certa ocasião, e passam a desenvolver necessidade de andar bastante, podendo até se perder pelo caminho.

Entrando na segunda fase, o paciente pergunta a mesma coisa a todo momento e pode comer várias vezes pois se esquece que comeu, por exemplo. A evacuação e micção (necessidades fisiológicas) também são comprometidas e o portador tende a usar fraldas. Um dos sintomas da entrada na terceira fase é a afasia, a perda do símbolo de linguagem – quando o paciente murmura palavras incompreensíveis – e, consequentemente, o emudecimento. Em determinado momento, a musculatura fica flácida e a pessoa deixa de engolir, tendo de recorrer a uma sonda.

Tarefa do cuidador

Athié (foto) foi cuidadora do próprio marido portador de Alzheimer. Ele, um médico e estudioso renomado, foi diagnosticado já idoso o que diminuiu suas chances de ter sua doença estacionada por medicamentos disponíveis no mercado. A tarefa de deixá-lo mais confortável possível em sua condição era dolorosa, ainda que fosse de coração. Segundo ela, muitas vezes o cuidador fica tão doente quanto o paciente por conta da pressão. “O maior desafio é acompanhar o familiar que está morrendo devagarinho”, disse.

Quando percebeu que estava “morrendo aos poucos” junto com o marido por causa da síndrome de burn-out (esgotamento físico e psicológico), Beatriz decidiu que tentaria viver sua vida da melhor forma possível em vez de se entregar, ainda que ao lado de seu esposo até o fatídico fim.

A Associação Brasileira de Alzheimer dedica uma série de orientações para cuidadores. Saiba mais no site.

Dura realidade

Para ilustrar a palestra foi exibido um curta-metragem com a história verídica de uma mãe com o Alzheimer a partir da dolorosa ótica de sua filha, além das reflexões da perda em vida de alguém querido. As memórias perdidas, a participação do indivíduo em família e a solidão de quem parece estar alheio aos acontecimentos. Mesmo que o paciente esteja fechado em seu mundo, é importante que receba afeto de seus familiares.

Após o filme, muitos colegas se manifestaram a fim de tirar dúvidas sobre a doença como, por exemplo, se é genética, se medicamentos ajudam em determinados casos, como é feito o diagnóstico do Alzheimer e qual médico procurar, geriatra ou neurologista.

Quem tiver dúvidas sobre, entre em contato com a Abraz.

Ampliando conhecimentos

Mais e mais associados e convidados participam das atividades do programa. Nesta palestra realizada extraordinariamente no começo do mês, foram cinco novos colegas muito bem-vindos que passarão adiante as informações adquiridas para outras pessoas divulgando o Qualidade de Vida. Proporcionar ideias que os associados levem para toda a vida é um dos nossos objetivos. “Os novos sempre têm um amigo que possa se interessar, seja em passeios, para conhecer coisas novas ou rever e fazer amigos”, destaca Vera Moura, diretora social da Afubesp. Todos estão convidados para o próximo evento em 29/07!

Letícia Cruz, Afubesp
Fotos: Dorival Elze

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