
Sabia que em São Paulo a cada 250 a 300 metros existe um rio perto de você? O Programa Afubesp Qualidade de Vida participou da expedição Rios e Ruas para conferir essa informação.
A atividade, que foi realizada na última quarta-feira (24), começou com uma apresentação sobre os rios – no total são 300 em toda a cidade – que foram soterrados pelo concreto das ruas. Um dos motivos para suas canalizações era evitar doenças por conta do lixo jogados em suas margens. O evento foi ministrado pelo geógrafo, que é graduado em Ciência da Terra e Socias, Luiz Campos Junior, do Instituto Harmonia.
Na oportunidade, ele contou aos participantes do programa sobre a existência da nascente do Rio Anhangabaú, que pode ser vista a duas quadras da Avenida Paulista, atrás do Maksoud Plaza Hotel, na Rua Silva, descida da Rua Rocha, cujo nome é Saracura.
Depois falou sobre um rio, localizado na região do Ipiranga, no Jardim Botânico. “O rio Piraranguá ficou dentro de um tubo por 70 anos, até que deu problema, ficou velho e começou a vazar. Alguém falou que poderia descanalisar”, comentou geógrafo. O rio acabou sendo descanalisado, mas, para isso, foram gastos milhões de reais e muitos anos para chegar a sua condição atual. “Com a presença do rio e sua vegetação característica aumentou 50% a movimentação no Jardim Botânico em 2008”, declarou.
Além dos de São Paulo ele também falou sobre rios que foram descanalisados no mundo, usando como exemplo os da Coréia do Sul.
Ao final das explicações, o geógrafo levou os participantes para percorrer as ruas do centro de São Paulo e durante o trajeto apontou onde estão alguns deles escondidos na Rua 15 de Novembro, no Viaduto da Santa Ifigênia e no Viaduto do Chá.
Como tudo começou
Estudioso há mais de 18 anos sobre esse tema, o geógrafo foi apresentado ao arquiteto e urbanista José Bueno, união que resultou na criação da Expedição Rios e Ruas há cerca de 3 anos.
Campos relatou aos participantes do Qualidade de Vida que a expedição inaugural do projeto ocorreu no bairro Vila Indiana, Butantã, na porta da casa de José Bueno. O arquiteto, que há mais de 20 anos morava no local, desconhecia o rio que ali habitava. “Saímos para uma busca do rio e o que achamos foi uma nascente a 100 metros da casa dele. Nós a chamamos de Quiririm, (tradução Tupi Guarani, Água Silenciosa)”, contou Campos.
“A experiência de Bueno nos revelou um sentimento de alegria e tristeza. Tristeza de ver que os rios estão enterrados e esquecidos, mas também alegria de ver que estão vivos, estão só escondidos. Minha vontade é trazer meus amigos para ver”, declarou o geógrafo.
Para saber mais sobre Rio e Ruas acesse o site: http://rioseruas.wordpress.com | www.facebook.com/rioseruas
Veja as fotos e baixe para seu computado pelo link http://www.flickr.com/photos/afubesp/sets/72157633342682595/
Texto e Foto: Camila de Oliveira