Santander não respeita nem a decisão do INSS PDF Imprimir E-mail
Ter, 11 de Julho de 2017 11:05

Os transtornos psiquiátricos já superaram as doenças osteomusculares, que por muitos anos foram campeãs de incidência entre os trabalhadores bancários. O ambiente organizacional focado no cumprimento de metas objetivando lucros astronômicos, aliado a um cenário onde assédio moral e ameaça constante de demissão são regra, fazem com que os bancos se enquadrem entre as empresas com maior risco de acidente de trabalho ou doença ocupacional no Brasil.

De acordo com os últimos dados do INSS disponíveis, mais de 18 mil bancários (18.671) foram afastados em 2013 em todo o país – sendo 24,6% por LER/Dort e 27% por transtornos mentais e comportamentais (como stress, depressão e síndrome do pânico).

A bancária Fernanda (nome fictício) ampliou essa estatística. Ela desenvolveu síndrome de burn out por causa do assédio moral sofrido na agência onde trabalha. Para agravar seu problema e comprovar o desrespeito do Santander com a saúde dos empregados, a médica do banco sequer acatou o resultado da perícia do INSS, que a considerou inapta para o trabalho.

“Me disseram que eu não tinha perfil de bancária porque meu cabelo é ruim, porque eu não fazia a unha. Meu gerente-geral disse que eu não entenderia as coisas nem se desenhasse para mim, que ele estava cansado de lidar com gente burra", relata. "Procurei um psiquiatra quando vi que não estava bem num dia que eu peguei a rodovia indo trabalhar e estava tremendo e suando muito. Vi uma carreta chegando pelo retrovisor e pensei ‘podia jogar meu carro e acabava com meus problemas agora’. Só não fiz porque eu estava com meu filho e ia matar ele também”, contou a bancária, chorando.

A total falta de condições para o trabalho foi comprovada por atestado de afastamento assinado por um psiquiatra e até por perito do INSS. Essa última uma verdadeira façanha que comprova o estado da bancária, visto que é cada vez mais difícil o órgão federal conceder benefício a segurados que não apresentem problemas clínicos visíveis, como lesões graves ou amputações. 

Mesmo assim, ambos foram ignorados pelo banco, que agendou exame de retorno ao trabalho e a médica a considerou apta.

“Ela disse: ‘vocês está ótima para o trabalho’. Eu disse ‘doutora, você está vendo a minha condição.’ Ela falou: ‘Se você não está satisfeita com o banco,  eu te encaminho agora para a assistente social para fazer um acordo com o banco’”, conta Fernanda.

“É um completo absurdo o médico do banco desconsiderar atestado assinado por psiquiatra e também por perito do INSS recomendando afastamento”, protesta o dirigente sindical Ramilton Marcolino. “Além disso, não é função desse profissional propor um acordo de demissão. Lutamos para que o Santander reveja essa política e respeite a saúde dos seus funcionários que adoeceram justamente ao trabalhar e gerar lucro para o banco”, completa o dirigente.


Seeb-SP

 


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